Se eleito, Zema quer liberar trabalho infantil no Brasil

O pré-candidato à Presidência da República Romeu Zema (Novo) provocou reação ao defender mudanças nas regras sobre trabalho infantil no Brasil. Durante entrevista em um podcast no Dia do Trabalhador, o ex-governador de Minas Gerais afirmou que pretende rever a legislação que hoje proíbe o trabalho antes dos 16 anos, com exceção da condição de aprendiz a partir dos 14.
Ao comentar o tema, Zema argumentou que a atual legislação limita oportunidades e criticou o que classificou como uma visão consolidada ao longo dos anos no país. Segundo ele, essa interpretação teria sido construída por setores da esquerda e precisaria ser revista, sobretudo em atividades consideradas simples e compatíveis com a idade.
O presidenciável também recorreu à própria trajetória para justificar sua posição, afirmando que começou a trabalhar ainda na infância ajudando o pai em um negócio familiar. Para ele, experiências desse tipo podem contribuir para a formação pessoal, desde que não prejudiquem a educação.
A declaração rapidamente ganhou repercussão e reacendeu um debate sensível, que envolve não apenas aspectos legais, mas também sociais e econômicos. A legislação brasileira atual estabelece restrições claras ao trabalho infantil, alinhadas a compromissos internacionais de proteção à infância, ao mesmo tempo em que permite programas de aprendizagem voltados a adolescentes.
Diante da repercussão, Zema fez um novo pronunciamento no dia seguinte, afirmando que sua fala havia sido mal interpretada. Ele disse que sua defesa se refere à ampliação de oportunidades para adolescentes, dentro de regras que conciliem trabalho e educação, e não à liberação irrestrita do trabalho infantil.
O episódio ocorre em um momento em que temas ligados ao mercado de trabalho e à formação de jovens voltam ao centro do debate público, especialmente em meio a um cenário de dificuldades econômicas e busca por alternativas que ampliem oportunidades sem comprometer direitos fundamentais.
A discussão tende a ganhar espaço na agenda eleitoral, refletindo visões distintas sobre o papel do Estado, da educação e da inserção precoce no mercado de trabalho, em um país que ainda enfrenta desafios históricos na proteção e no desenvolvimento de crianças e adolescentes.