Sem Simões e Gleidson, partido de Zema desidrata em Minas

Saída de nomes estratégicos e incertezas internas expõem fragilidade do Novo no estado-chave para 2026

Sem Simões e Gleidson, partido de Zema desidrata em Minas

A poucos meses das convenções partidárias, o Novo enfrenta um cenário de perda de força política em Minas Gerais, estado que já foi vitrine nacional da sigla e base do projeto político do ex-governador Romeu Zema (Novo). A saída de lideranças com potencial eleitoral e o enfraquecimento da estrutura local têm gerado preocupação entre filiados e pré-candidatos.

O caso mais emblemático é o do ex-prefeito de Divinópolis, Gleidson Azevedo, que deixou o partido após ser considerado peça-chave na montagem da chapa proporcional. Internamente, havia expectativa de que ele pudesse alcançar uma votação expressiva e impulsionar outros candidatos, estratégia comum em disputas proporcionais. Com sua saída, cresceu a percepção de que o Novo perdeu competitividade no estado.

A movimentação não ocorreu de forma isolada. Outros nomes também passaram a buscar abrigo em legendas com maior estrutura e viabilidade eleitoral, como PL, Republicanos e PSD. O cenário se agravou com a mudança de rumos de lideranças políticas relevantes, ampliando dúvidas sobre a capacidade de organização da sigla em Minas.

Nos bastidores, relatos indicam insatisfação com a condução interna do partido, marcada por centralização de decisões e dificuldade de diálogo com os pré-candidatos. A ausência de um projeto claro para fortalecer a nominata acabou alimentando a insegurança entre os próprios filiados.

Apesar das perdas, a direção estadual tenta demonstrar otimismo. O presidente do Novo em Minas, Christopher Laguna, reconheceu a importância de Gleidson na estratégia inicial, mas afirmou que a saída pode abrir espaço para maior engajamento de outros candidatos. Ainda assim, a realidade impõe desafios, sobretudo na construção de uma chapa competitiva para a Câmara dos Deputados.

Outro ponto de tensão envolve a disputa ao Senado. O nome de Marco Antônio Costa, conhecido nas redes sociais, passou a circular como possível candidato, mas não há consenso dentro do partido sobre seu papel nas eleições. A indefinição reforça o ambiente de incerteza em uma fase decisiva do calendário eleitoral.

Mesmo diante do cenário adverso, o Novo mantém a meta de alcançar uma votação significativa em Minas Gerais, considerada fundamental para sua sobrevivência política em nível nacional. O estado, segundo maior colégio eleitoral do país, será determinante para o desempenho da legenda nas eleições de 2026.

A reorganização do quadro político mineiro evidencia como partidos que não conseguem consolidar bases sólidas enfrentam dificuldades em um ambiente cada vez mais competitivo. Em um contexto de polarização e disputas fragmentadas, a construção de projetos consistentes e alinhados com as demandas da população tende a ser fator decisivo para quem busca protagonismo.