Delação de ex-presidente do BRB pode mostrar propina para 12 Deputados Distritais

A crise envolvendo o Banco Master e os desdobramentos da Operação Compliance Zero podem ganhar uma dimensão ainda maior no Distrito Federal. Documentos preliminares da proposta de delação premiada do ex-presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa, apontam supostos repasses mensais a parlamentares distritais e aumentam a tensão nos bastidores da política brasiliense.
Segundo anexos obtidos por veículos de imprensa, a colaboração em negociação com a Procuradoria-Geral da República cita até 12 deputados distritais que teriam recebido pagamentos mensais ligados ao esquema investigado. Os valores mencionados chegariam a R$ 150 mil por mês.
Paulo Henrique Costa, que presidiu o BRB durante a operação de compra do Banco Master, foi preso preventivamente em abril após o avanço das investigações conduzidas pela Polícia Federal. A apuração mira suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e favorecimento político envolvendo a instituição financeira e operadores ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro.
Os documentos em elaboração pelos advogados do ex-dirigente ainda dependem de validação da PGR e posterior homologação judicial, mas já provocam forte repercussão no meio político do Distrito Federal. A expectativa é de que novos anexos tragam detalhes sobre votações estratégicas, articulações políticas e movimentações financeiras realizadas durante o processo de aquisição do Banco Master pelo BRB.
Em agosto de 2025, a Câmara Legislativa do Distrito Federal aprovou projeto autorizando o avanço da negociação envolvendo a instituição pública financeira. Agora, investigadores tentam esclarecer se houve atuação política remunerada para garantir apoio à operação dentro da CLDF.
A possível delação de Paulo Henrique Costa surge em meio ao aprofundamento de outras investigações relacionadas ao ambiente político do Distrito Federal. Reportagens recentes revelaram suspeitas de manipulação de audiência e direcionamento irregular de verbas públicas de comunicação para blogs alinhados ao governo local, além de contratos e movimentações financeiras sob investigação.
Nos bastidores de Brasília, a avaliação é de que a colaboração do ex-presidente do BRB pode atingir diferentes núcleos políticos e ampliar a pressão sobre figuras influentes da capital federal. Integrantes do meio jurídico afirmam que o avanço das delações deve abrir uma nova fase da crise envolvendo o Banco Master e suas conexões políticas.
Enquanto isso, cresce também o debate sobre a necessidade de maior transparência na relação entre instituições financeiras públicas, agentes políticos e estruturas de comunicação financiadas com recursos públicos. Em um cenário de forte desgaste institucional, o caso volta a alimentar cobranças por mecanismos mais rígidos de fiscalização e responsabilidade no uso do dinheiro público.