Fim da “taxa das blusinhas” não zera impostos em compras em sites estrangeiros

Governo Lula recua após desgaste popular, mas consumidores continuarão pagando tributos estaduais nas compras internacionais

Fim da “taxa das blusinhas” não zera impostos em compras em sites estrangeiros

O governo federal anunciou nesta semana o fim do imposto de importação para compras internacionais de até US$ 50 realizadas por pessoas físicas em plataformas estrangeiras. A medida, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi apresentada como uma tentativa de aliviar o bolso dos consumidores após meses de forte desgaste político provocado pela chamada “taxa das blusinhas”.

Apesar do anúncio, a redução não significa o fim completo da tributação sobre compras em sites internacionais. O ICMS, imposto estadual cobrado sobre essas operações, continuará incidindo normalmente e seguirá impactando o valor final pago pelos brasileiros.

Na prática, consumidores ainda precisarão arcar com uma carga tributária relevante nas compras realizadas em plataformas estrangeiras, especialmente em estados que adotam alíquotas maiores. O imposto estadual varia entre 17% e 20%, dependendo da unidade da federação.

O recuo do Palácio do Planalto ocorre após sucessivas críticas ao aumento da tributação sobre compras de pequeno valor, medida que atingiu principalmente consumidores das classes média e baixa que utilizam aplicativos internacionais para adquirir roupas, eletrônicos e acessórios com preços mais acessíveis.

Dentro do próprio governo, aliados passaram a admitir nos bastidores que a medida havia se tornado um símbolo negativo da gestão petista nas redes sociais e entre o eleitorado jovem. Pesquisas internas apontaram forte rejeição popular à cobrança criada pela equipe econômica e defendida inicialmente como mecanismo de proteção da indústria nacional.

Agora, o governo tenta reconstruir a narrativa e diminuir o desgaste político antes da corrida eleitoral de 2026. A medida provisória que derruba o imposto federal já entrou em vigor, mas ainda dependerá de aprovação do Congresso Nacional nos próximos meses.

Mesmo sem a cobrança federal, especialistas alertam que o consumidor continuará pagando valores superiores ao preço original das mercadorias devido à incidência do ICMS e às taxas operacionais cobradas por plataformas e transportadoras.

A mudança também reacendeu o debate sobre o modelo tributário brasileiro e a dificuldade do país em avançar para um sistema mais simples e transparente. Parlamentares ligados ao centro democrático avaliam que a insegurança tributária e as mudanças frequentes de regras acabam afastando investimentos e prejudicando tanto consumidores quanto pequenos empreendedores digitais.

Nos bastidores de Brasília, a avaliação é de que o governo agiu pressionado pela queda de popularidade e pelo avanço da oposição nas redes sociais. O tema ganhou forte repercussão entre jovens e consumidores de comércio eletrônico, tornando-se um dos assuntos mais sensíveis para o Planalto em 2026.

Com a nova medida, compras internacionais de pequeno valor tendem a ficar um pouco mais baratas, mas longe de representar isenção total de impostos como muitos consumidores inicialmente imaginaram.