
O senador Ciro Nogueira (PP-PI) afirmou nesta terça-feira (21) que não irá antecipar juízo de valor sobre as investigações envolvendo o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e destacou que a apuração deve ocorrer de forma independente e imparcial. Segundo Nogueira, se houver comprovação de irregularidades, o senador deve “pagar exemplarmente” pelos atos.
Em entrevista à TV Clube, afiliada da Globo no Piauí, Nogueira destacou que “não estou aqui para defender nem acusar o senador Flávio. Ele tem que ser investigado, como todos, e se for inocente, que sua inocência seja reconhecida. Se for culpado, que responda severamente de acordo com a lei”. O parlamentar reforçou a importância de se respeitar o princípio da igualdade perante a Justiça e repudiou qualquer forma de proteção a suspeitos.
A declaração ocorre após a deflagração, em 7 de maio, de nova fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que investiga possíveis fraudes financeiras ligadas ao Banco Master. Ciro Nogueira foi um dos alvos da ação, que incluiu mandados de busca e apreensão em endereços em Brasília e no Piauí, assim como o irmão do senador, Raimundo Nogueira, monitorado por tornozeleira eletrônica.
O senador ressaltou que colabora com a investigação e contestou acusações de recebimento de propina, classificando-as como “invenção” e alegando que os valores citados representam uma parcela mínima do faturamento de suas empresas familiares. Ele ainda explicou que a operação, iniciada em ano eleitoral, levantou questionamentos sobre o momento e a motivação do procedimento, mas garantiu que todas as ações seguem os trâmites legais.
O caso ganhou atenção após áudios divulgados pelo The Intercept Brasil, nos quais Flávio Bolsonaro negocia com o banqueiro Daniel Vorcaro repasses para a produção do filme “Dark Horse”, sobre a trajetória do ex-presidente. O senador do PL confirmou que manteve contato com Vorcaro após a prisão do empresário, defendendo que se tratava de negociação de recursos privados para a produção cinematográfica.