
A Polícia Federal cumpre nesta terça-feira mandados de busca e apreensão envolvendo o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) em investigação sobre aportes do fundo Rioprevidência no Banco Master, instituição do empresário Daniel Vorcaro. A operação, autorizada pelo ministro do STF André Mendonça, é a oitava fase da investigação conhecida como Compliance Zero e mira supostos crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, incluindo gestão fraudulenta, desvio de recursos e corrupção passiva.
Segundo documentos obtidos pela Folha, entre outubro de 2023 e agosto de 2024, o fundo previdenciário aplicou cerca de R$ 970 milhões em Letras Financeiras do Master, somando-se a outros R$ 2 bilhões em fundos geridos pela instituição durante a gestão de Castro. A Rioprevidência buscava substituir esses títulos por precatórios federais, mas os aportes levantaram suspeitas de exposição excessiva do patrimônio do fundo a riscos incompatíveis com a finalidade previdenciária.
Além de Castro, integrantes da direção do Rioprevidência também são alvos da operação. A corporação investiga ainda a possibilidade de associação criminosa envolvendo decisões administrativas e financeiras tomadas durante o governo estadual.
A defesa de Castro, conduzida pelo advogado Carlo Luchione, acompanhou as buscas e afirmou não ter detalhes sobre a decisão judicial que autorizou a ação. “É do ministro André Mendonça, sobre o Rioprevidência, mas não sei detalhes pois não vi a decisão”, disse Luchione.
O ex-governador já havia sido alvo de outra operação da PF em maio, relacionada à chamada ADPF 635/RJ, a “ADPF das Favelas”, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes. Na ocasião, a investigação abordou supostas conexões entre organizações criminosas e agentes públicos do estado, incluindo mandados contra Castro e o empresário Ricardo Magro, apontado pela Receita Federal como um dos maiores devedores do país.
As ações da PF também miraram autoridades do TJ-RJ, como o desembargador Guaraci Viana, afastado cautelarmente em março pelo CNJ por decisões consideradas irregulares. A investigação sobre o Rioprevidência soma-se a um conjunto de apurações que buscam transparência em operações financeiras envolvendo recursos públicos estaduais.