
A disputa pelas cadeiras do Senado nas eleições de 2026 tem gerado divisões significativas entre forças de direita em pelo menos seis estados, complicando a estratégia de ampliação de bancadas dessa corrente política na Casa. A movimentação interna aumenta o espaço para candidatos de centro e esquerda, sobretudo em estados onde os partidos bolsonaristas tinham expectativa de controle quase absoluto.
No Distrito Federal, o rompimento entre o ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) e sua sucessora, Celina Leão (PP), evidencia o impacto das disputas sobre alianças tradicionais. Ibaneis, que apoiou Bolsonaro nas eleições anteriores, pretendia concorrer ao Senado junto de Michelle Bolsonaro (PL), mas a ex-primeira-dama optou por se aliar à deputada Bia Kicis (PL), intensificando a fragmentação. O presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, reforçou que o partido não abrirá mão da participação na chapa majoritária, aumentando o número de pré-candidatos à direita.
Em São Paulo, a decisão do presidente da Alesp, André do Prado (PL), de integrar a chapa ao Senado na pré-campanha de reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), gerou atritos dentro do partido. O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL), inicialmente cotado para a suplência, recebeu críticas do deputado Ricardo Salles (Novo), que questionou supostos acordos de bastidores envolvendo a vaga. A tensão gerou debates sobre transparência e distribuição de recursos, enquanto a ex-ministra Simone Tebet reforçou sua base no PSB, aproveitando o vácuo à direita.
Minas Gerais também registrou disputas internas na chapa de reeleição do governador Mateus Simões (PSD). O deputado Domingos Sávio (PL) e o ex-secretário Marcelo Aro (PP) disputam indicações, enquanto o senador Carlos Viana (PSD) corre risco de ser preterido na composição. No centro da estratégia está a tentativa de captar o apoio do PL, alinhando-se a pré-candidatos bolsonaristas em busca de maior competitividade.
Em Goiás, a escolha do PL de lançar o senador Wilder Morais ao governo regional afetou o plano do deputado Gustavo Gayer, que buscava integrar a chapa ao lado de Gracinha Caiado (União). Em Mato Grosso do Sul, quatro pré-candidatos disputam a indicação do PL para compor a chapa de reeleição do governador Eduardo Riedel (PP). A interferência de Jair Bolsonaro, com a indicação de Marcos Pollon, gerou mais tensão interna.
Em Santa Catarina, a definição de Carlos Bolsonaro e da deputada Caroline de Toni para a chapa senatorial gerou críticas de pré-candidatos ignorados, como o senador Esperidião Amin (PP), que acabou apoiando João Rodrigues (PSD). Esses episódios mostram que os rachas à direita podem beneficiar candidatos da centro-direita e da oposição, reorganizando o cenário eleitoral para o Senado em diversas regiões do país.