
Subtítulo: Convidado para disputar a Presidência, presidente do PSDB defende reposicionar o partido no centro e vê espaço para uma “coisa nova” em 2026
O presidente nacional do PSDB, Aécio Neves (PSDB-MG), fez duras críticas à condução econômica do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e afirmou que a atual gestão se aproxima mais dos erros que marcaram o primeiro mandato da ex-presidente Dilma Rousseff do que do ciclo de crescimento observado nos governos petistas anteriores.
A declaração foi feita durante entrevista à Jovem Pan, em meio às discussões sobre uma possível candidatura presidencial do tucano nas eleições de 2026.
Ao analisar o cenário econômico, Aécio afirmou que o governo tem ampliado gastos públicos sem apresentar fontes permanentes de financiamento, repetindo uma estratégia que, segundo ele, já produziu graves consequências para o país no passado.
“O que nós estamos vendo acontecer agora, nesse Lula 3, é muito mais parecido com a Dilma 1 do que com o Lula 1 e o Lula 2. É a farra desenfreada, são os gastos públicos sem definição de receitas que vão cobri-los”, afirmou.
A fala ocorre em um momento de crescente preocupação do mercado e de especialistas com o equilíbrio das contas públicas, tema que voltou ao centro do debate político nacional nos últimos meses.
Para Aécio, o governo federal já atua sob uma lógica eleitoral, priorizando medidas de impacto imediato em vez de enfrentar os desafios estruturais da economia brasileira.
“Há cinco meses da eleição, nós deixamos de ter um presidente exercendo a Presidência da República. Nós temos um candidato à reeleição exercendo a Presidência da República”, declarou.
A entrevista também marcou uma das primeiras manifestações públicas do tucano após receber o convite formal da federação formada por PSDB e Cidadania para disputar a Presidência da República em 2026.
Além da federação PSDB-Cidadania, Aécio conta com o apoio político da federação Solidariedade-PRD, que tem defendido a construção de uma candidatura de centro capaz de oferecer uma alternativa à polarização entre petismo e bolsonarismo.
Embora ainda não tenha confirmado se aceitará disputar o Palácio do Planalto pela segunda vez, o ex-governador de Minas Gerais afirmou que sua prioridade continua sendo a reconstrução do PSDB e o fortalecimento de um projeto político de centro para o país.
“Meu papel hoje é reposicionar o PSDB no centro da política brasileira”, afirmou durante a entrevista.
Ainda assim, o dirigente deixou claro que não descarta participar do debate presidencial caso perceba a formação de um projeto consistente para o país.
“Se eventualmente a gente percebe que existe caminho para essa coisa nova, por que eu vou me furtar a debater o que está acontecendo no Brasil?”, questionou.
Nos bastidores, lideranças tucanas avaliam que a eventual candidatura de Aécio ganhou força após a reaproximação do PSDB com partidos de centro e o avanço das conversas com nomes como Michel Temer, Ciro Gomes e dirigentes de outras legendas que defendem uma alternativa à polarização.
A estratégia do partido passa por recuperar protagonismo nacional e apresentar uma agenda baseada em responsabilidade fiscal, crescimento econômico e estabilidade institucional, temas que historicamente marcaram as gestões tucanas.
Enquanto a decisão sobre a disputa presidencial não é tomada, Aécio segue percorrendo o país, reorganizando o PSDB e ampliando o debate sobre o futuro político e econômico do Brasil.