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Rombo das estatais é de R$ 5,9 bilhões e já supera déficit de 2025

Por Brasil no Centro Publicado em 29 de maio de 2026 às 16:49 3 min de leitura
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Rombo das estatais é de R$ 5,9 bilhões e já supera déficit de 2025

As empresas estatais federais acumulam um déficit de R$ 5,94 bilhões entre janeiro e abril de 2026, segundo dados divulgados pelo Banco Central. O resultado já ultrapassa todo o rombo registrado ao longo de 2025 e representa o pior desempenho desde o início da atual série histórica acompanhada pela autoridade monetária.

Os números reforçam as preocupações com a situação financeira de parte das empresas controladas pela União em um momento de aumento da dívida pública e de pressão crescente sobre as contas do governo federal.

O saldo negativo foi impulsionado principalmente pelos resultados dos primeiros meses do ano. Somente em janeiro, as estatais federais registraram déficit próximo de R$ 5 bilhões, sinalizando desde cedo um cenário de deterioração fiscal. Em abril, o conjunto das empresas públicas voltou a apresentar resultado negativo, aprofundando o rombo acumulado no ano.

Os dados do Banco Central mostram que as empresas federais responderam pela maior parcela do déficit, enquanto as estatais estaduais também registraram resultado negativo. Apenas o grupo das empresas municipais apresentou saldo positivo no período.

O desempenho representa uma piora significativa em relação aos anos anteriores. Nos quatro primeiros meses de 2025, o déficit havia sido de R$ 2,7 bilhões. No mesmo período de 2024, o resultado negativo ficou em R$ 1,68 bilhão.

Entre os principais fatores que ajudam a explicar a deterioração das contas está a situação dos Correios. A estatal encerrou o ano passado com prejuízo bilionário e continua sendo uma das maiores fontes de preocupação para o governo. Em 2025, a empresa recorreu a um empréstimo com garantia da União para reforçar seu caixa, operação que posteriormente passou a ser questionada pelos órgãos de controle.

Nesta semana, o Tribunal de Contas da União determinou que o Tesouro Nacional aperfeiçoe os critérios utilizados na concessão de garantias para operações de crédito envolvendo empresas estatais. O entendimento do tribunal é que análises mais rigorosas são necessárias diante dos riscos fiscais representados por empresas com dificuldades financeiras.

O ministro Benjamin Zymler, relator do processo, afirmou que os sinais de fragilidade financeira dos Correios já eram conhecidos e exigiam atuação mais cuidadosa por parte da administração pública. Segundo ele, houve falhas na avaliação dos riscos envolvidos na operação de crédito concedida à estatal.

Além do desempenho das empresas públicas, o relatório do Banco Central também mostrou que a dívida bruta do governo geral alcançou 80,4% do Produto Interno Bruto, equivalente a cerca de R$ 10,4 trilhões. O percentual representa novo avanço em relação ao mês anterior e reforça o debate sobre a sustentabilidade das contas públicas nos próximos anos.

Os números divulgados nesta sexta-feira ampliam a pressão sobre a equipe econômica e alimentam críticas à condução das estatais federais, justamente em um momento em que o governo busca convencer investidores e agentes econômicos de seu compromisso com o equilíbrio fiscal.