
O deputado federal Bruno Lima (Podemos) atuava como secretário de Inovação e Tecnologia de São Paulo quando a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) firmou, em 2024, um contrato de R$ 108 milhões com o Instituto Conhecer Brasil (ICB) para a instalação de pontos de Wi-Fi gratuito em toda a cidade. O acordo, que gerou questionamentos recentes da Polícia Civil, foi costurado após negociação política entre Nunes e o presidente do PP, Ciro Nogueira, garantindo o apoio do partido à campanha de reeleição do prefeito.
Lima, que havia sido eleito em 2022 como um dos deputados federais mais votados do país, licenciou-se temporariamente do Congresso para assumir a pasta municipal em fevereiro de 2023. Ele permaneceu como secretário até julho de 2024, quase um mês após a assinatura do termo de colaboração entre a Secretaria de Inovação e Tecnologia e o ICB, entidade presidida por Karina Ferreira da Gama, produtora do filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro (PL).
Nesta segunda-feira (1º), a Secretaria de Inovação, a residência de Karina e duas empresas vinculadas à produtora foram alvo de mandados de busca e apreensão em operação da Polícia Civil, que investiga possíveis desvios de recursos públicos para custear a produção do filme.
Em entrevista ao Painel, Bruno Lima afirmou que não possui qualquer vínculo pessoal com Karina Ferreira da Gama. “Nunca a vi e, se passar em minha frente, não sei quem é”, disse o deputado. Ele ressaltou ainda que, ao assumir a secretaria, seu foco era expandir o Wi-Fi na cidade e que todos os procedimentos foram encaminhados às áreas técnica e jurídica da pasta.
Delegado de carreira, Lima declarou acreditar na lisura e na neutralidade das investigações. “O que causou estranheza é que nunca tivemos contato com a produção do filme, sequer sabíamos da existência do ‘Dark Horse’, e não apoiamos o ex-presidente Jair Bolsonaro. De fato, a apuração deve ocorrer, mas não creio que seja por questões políticas ou repercussão midiática”, afirmou.