
O prefeito de São José dos Campos, Anderson Farias Ferreira (PSD), é alvo de uma ação civil de improbidade administrativa movida pelo Ministério Público, que o acusa de praticar nepotismo afetivo ao nomear sucessivamente a enfermeira Milena Guimarães Coelho em cargos comissionados na administração municipal. Segundo a promotoria, os atos ocorreram em contexto de “proximidade pessoal de natureza íntima”, configurando favorecimento indevido.
Em nota, o prefeito disse ter recebido a ação “com absoluta indignação” e negou qualquer irregularidade. “Em momento algum pratiquei ilegalidade ou favorecimento. Reafirmo minha total confiança na Justiça e adotarei todas as medidas cabíveis para defesa da verdade”, afirmou Anderson.
O processo, protocolado em meio a denúncias de supostas irregularidades, solicita a nulidade das nomeações, a quebra do sigilo bancário do casal, suspensão dos direitos políticos e aplicação de multa. Segundo a promotora Ana Cristina Ioriatti Chami, a relação amorosa entre o prefeito e Milena influenciou diretamente as nomeações, caracterizando nepotismo impróprio e violando princípios constitucionais de impessoalidade e moralidade.
Milena Coelho já exerceu cargos como diretora de Vigilância em Saúde, membro da Junta de Recursos Municipal e integrante do Conselho de Administração da Urbam, segundo a denúncia. A promotoria ainda aponta que, enquanto ocupava funções públicas, a servidora desenvolvia atividades privadas em clínica de estética, sem compatibilidade com os cargos comissionados de dedicação exclusiva.
O caso ganhou repercussão após relatos de conflitos envolvendo a esposa do prefeito, Sheila Cristina Thomaz Ferreira, que forneceu à Promotoria documentos, prints de conversas e comprovantes de viagens internacionais com o prefeito e a servidora, indicando possível uso de recursos públicos para deslocamentos da companheira.
De acordo com o MP, as nomeações ocorreram desde 2017, quando Anderson exercia funções de secretário municipal, e se intensificaram a partir de 2023, comprometendo a impessoalidade da administração e evidenciando desvio de finalidade. Milena foi exonerada do cargo de diretora da Vigilância em Saúde após a abertura do inquérito civil.
A promotoria afirma que o caso não se refere à vida pessoal, mas ao exercício de cargos públicos sob influência de vínculos amorosos, configurando modelo de captura da administração em favor de interesses privados. A ação tem valor estimado em R$ 144 mil, correspondente a 12 meses de vencimentos do cargo ocupado pela servidora.