Raul Christiano: “Em defesa do Voto Distrital”

O debate sobre o voto distrital misto ganha relevância diante dos desafios da representação política e da busca por maior proximidade entre eleitores e seus representantes.

Raul Christiano: “Em defesa do Voto Distrital”

Por Raul Christiano, jornalista, escritor e ex-secretário executivo de Estado da Justiça e Cidadania. Membro da Academia Santista de Letras.

Sempre defendi o voto distrital e, principalmente, o voto distrital misto, como alternativas para aproximar o eleitor do representante e fortalecer a legitimidade política. No Brasil, o tema aparece com frequência nos debates de reforma política justamente por causa da percepção de distanciamento entre sociedade e Congresso.

O voto distrital puro divide o território em distritos, e cada distrito elege um representante. Já o misto combina duas lógicas: uma parte dos deputados é eleita diretamente pelos distritos e outra parte pelo voto proporcional nos partidos, buscando equilibrar representatividade regional e pluralidade política, exemplos na Alemanha e na Nova Zelândia.

O sistema distrital cria vínculo territorial claro entre representante e a população. Hoje, muitos eleitores não sabem quem é “o deputado da sua região”. No modelo distrital, o parlamentar passa a ter responsabilidade direta sobre determinada comunidade.

O voto distrital está no programa do PSDB, que ajudei a redigir e defendo desde a fundação do partido em 1988. Assim, a população sabe quem representa sua cidade, seu bairro, sua região. Uma democracia forte exige proximidade entre eleitor e eleito.

Além disso, entre as suas vantagens, há mais fiscalização popular; cobrança direta do parlamentar; presença regional mais forte; campanhas potencialmente menos caras; e fortalecimento das demandas locais. Tema fundamental no debate pré-eleitoral e durante a campanha, pois regiões importantes economicamente, como a Baixada Santista, acabam sub-representadas.

Tenho refletido e afirmado que Santos, litoral e o interior muitas vezes perdem espaço para máquinas eleitorais gigantes. Por isso o voto distrital misto pode fortalecê-las, pois comunidades locais passam a ter voz mais contínua em Brasília.

Quem vive os problemas da região conhece melhor as soluções da região. Hoje o cidadão vota e depois não sabe quem cobrar. Isso precisa mudar. Esse é um dos diferenciais para a minha disposição como pré-candidato a deputado federal em 2026.

Acredito no exercício da democracia mais próxima das pessoas, equilibrada e conectada às comunidades reais. Só que essa bandeira pode ser discutida e aprovada no próximo Congresso Nacional, então, apelo que eleitores da Baixada Santista, Litoral e Vale do Ribeira escolham apenas pré-candidatos a deputados da região.