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Lula atua por adversário de pai de Hugo Motta e se afasta do presidente da Câmara

Por Brasil no Centro Publicado em 14 de julho de 2026 às 14:08 4 min de leitura
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Lula atua por adversário de pai de Hugo Motta e se afasta do presidente da Câmara

A relação entre o Palácio do Planalto e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), passou por um momento de desgaste após um movimento político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa pelo Senado na Paraíba. O apoio declarado do petista ao senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB), adversário do pai de Motta, Nabor Wanderley (Republicanos-PB), gerou desconforto entre aliados do comandante da Câmara.

Segundo interlocutores próximos a Hugo Motta, o deputado avaliou que faltou sensibilidade política ao Planalto ao divulgar um vídeo de apoio a Veneziano em um momento considerado inadequado. A manifestação ocorreu antes do início oficial da campanha eleitoral e sem uma comunicação prévia ao presidente da Câmara.

Apesar de reconhecerem a proximidade histórica entre Lula e Veneziano, aliados de Motta afirmam que a forma como o apoio foi anunciado causou uma sensação de desvalorização diante do papel desempenhado pelo parlamentar na articulação política do governo dentro do Congresso.

O próprio Hugo Motta reagiu publicamente ao movimento e classificou a iniciativa do adversário de seu pai como uma demonstração de preocupação com o cenário eleitoral na Paraíba. Segundo ele, o apoio presidencial seria uma tentativa de fortalecer uma candidatura que enfrenta dificuldades diante do crescimento de seus concorrentes no estado.

Nos bastidores, a palavra usada por aliados do presidente da Câmara para definir o momento é “chateação”. A avaliação é de que Motta tem contribuído para a agenda do governo federal, ajudando a conduzir votações importantes e evitando conflitos que poderiam dificultar a relação entre Executivo e Legislativo.

Entre os exemplos citados está a negociação envolvendo projetos de impacto econômico, como a proposta de renegociação de dívidas rurais. Motta tem buscado construir acordos entre governo e parlamentares da bancada ruralista, mesmo diante das pressões de diferentes setores do Congresso.

O desgaste ocorre em um momento em que o governo enfrenta dificuldades de articulação no Senado e tenta manter uma relação estável com a Câmara. A rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelos senadores ampliou a distância entre o Planalto e o comando da outra Casa legislativa.

Além da questão eleitoral na Paraíba, Hugo Motta também teria demonstrado insatisfação com a demora do governo em atender algumas demandas relacionadas a espaços na estrutura federal e indicações para tribunais. O presidente da Câmara apoiava nomes específicos para vagas no Judiciário e esperava maior diálogo nas escolhas.

Mesmo com os atritos, integrantes do governo afirmam que Lula reconhece a importância da parceria com Motta e não pretende transformar a disputa estadual em um problema nacional. A avaliação dentro do Planalto é que o presidente da Câmara continua sendo uma peça importante para a tramitação de projetos considerados prioritários.

Desde que assumiu o comando da Câmara, Motta tem adotado uma postura de equilíbrio entre diferentes campos políticos. Ele foi eleito com apoio de partidos que vão do PT ao PL e busca manter uma posição de diálogo em uma legislatura marcada pela disputa entre diferentes forças.

Na Câmara, o presidente da Casa avançou em pautas defendidas pelo governo, como a proposta que trata da jornada de trabalho 6×1, considerada uma das principais bandeiras do Planalto. Também deu andamento a propostas em áreas como segurança pública e minerais estratégicos, enquanto abriu espaço para debates defendidos pela oposição, como a redução da maioridade penal.

A estratégia de Hugo Motta tem sido manter a Câmara como espaço de negociação, evitando alinhamento automático com qualquer um dos polos políticos. O episódio envolvendo a disputa na Paraíba, porém, revelou que mesmo relações institucionais consideradas próximas podem sofrer impactos quando entram em cena interesses eleitorais regionais.