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Polícia Civil do RJ pagou R$ 119 mil para gráfica ligada a bicheiro

Por Brasil no Centro Publicado em 29 de julho de 2026 às 14:20 3 min de leitura
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Polícia Civil do RJ pagou R$ 119 mil para gráfica ligada a bicheiro

A Polícia Civil do Rio de Janeiro contratou, em dezembro de 2025, uma empresa gráfica que aparece em investigações da Polícia Federal por supostas ligações com o grupo do contraventor Adilsinho. O contrato, firmado por meio de pregão eletrônico, prevê o pagamento de R$ 119 mil para a prestação de serviços gráficos gerais à corporação.

A empresa contratada foi a Fast Gráfica, pertencente ao empresário Marcos Alexandre Barros Rodrigues. Segundo apurações da Polícia Federal, o empresário teria relação com empresas apontadas como parte de uma estrutura utilizada para lavagem de dinheiro e movimentação financeira vinculada ao grupo criminoso investigado.

O contrato com a Polícia Civil tem validade até o fim de 2026. A corporação informou que, no momento da contratação, não havia acusações de irregularidades contra a empresa e que a prestadora apresentou toda a documentação exigida para participar do processo de licitação.

De acordo com as investigações, Marcos Alexandre é citado como ligado a seis empresas que fariam parte de um esquema de ocultação de recursos e financiamento de atividades relacionadas ao grupo de Adilsinho.

O empresário também aparece relacionado a um veículo de luxo utilizado pelo deputado estadual Rodrigo Bacellar (União Brasil), ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. O parlamentar está preso desde novembro de 2025 em uma investigação que apura possíveis conexões com organizações criminosas.

A Fast Gráfica atualmente tem como sócia e administradora a esposa de Marcos Alexandre. Documentos de contratos anteriores mostram que o empresário já integrou o quadro societário da empresa até 2022.

Além da Polícia Civil, a gráfica também foi contratada por outros órgãos públicos do Rio de Janeiro. Em 2025, o Detran-RJ firmou contrato no valor de aproximadamente R$ 119,9 mil com a empresa. Já a Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec) contratou serviços da gráfica em 2022, em um contrato de R$ 7 milhões que permanece vigente.

A empresa também aparece em registros de campanhas eleitorais. Segundo a Polícia Federal, uma gráfica ligada ao grupo empresarial de Marcos Alexandre prestou serviços para dezenas de candidatos e movimentou cerca de R$ 1,5 milhão, valor composto majoritariamente por recursos públicos destinados ao financiamento eleitoral.

Entre os políticos que contrataram serviços da empresa está o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL). Durante a campanha eleitoral de 2022, a empresa recebeu R$ 473 mil por serviços gráficos prestados.

Em nota, a Polícia Civil afirmou que a contratação seguiu os procedimentos legais previstos em licitação e destacou que a empresa estava habilitada para prestar serviços à administração pública no momento do acordo.

A corporação também informou que participou de operações conjuntas com a Polícia Federal e o Ministério Público contra organizações criminosas e ressaltou que a prisão de investigados ligados ao grupo ocorreu posteriormente à contratação.