PAC: ritmo lento e obras que não saem do papel preocupam governo a um ano da eleição

PAC: ritmo lento e obras que não saem do papel preocupam governo a um ano da eleição

Faltando pouco mais de um ano para as eleições de 2026, o governo Lula começa a enfrentar o que pode se tornar um problema eleitoral: o atraso em obras do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que deveria ser a vitrine de investimentos do terceiro mandato do presidente.

Embora R$ 111 bilhões tenham sido reservados para o programa entre 2023 e 2025, R$ 16,7 bilhões ainda não foram desembolsados, porque as obras não comprovaram execução. O risco é transformar estados e cidades em verdadeiros canteiros de obras inacabadas, cenário que pode ser usado contra o presidente na campanha.

O principal gargalo não é falta de recursos, mas a execução: centenas de projetos permanecem em fase de licitação, dependentes de prefeituras e governos estaduais. A pressão do Planalto sobre gestores locais, inclusive com liberação integral de verbas, não garante que obras saiam do papel, já que interesses políticos frequentemente se sobrepõem a critérios técnicos.

No setor da educação, o cenário é alarmante: das 1.884 obras previstas, apenas 76 estão em execução. No caso dos institutos federais, menos da metade está efetivamente em construção, e muitos projetos ainda aguardam regularização de terrenos ou publicação de licitações.

Na saúde, a situação é ligeiramente melhor: 73% das 1.910 obras de UBS, hospitais e policlínicas estão em andamento, mas ainda há 19% travadas em processos licitatórios. Mesmo assim, a execução plena do PAC permanece distante.

Especialistas apontam que o problema não é a falta de dinheiro, mas a ausência de planejamento e apoio técnico consistente aos municípios. Pressionar prefeitos para inaugurar obras próximas da eleição não resolve gargalos estruturais e expõe a população a serviços incompletos.

O Novo PAC, que deveria ser símbolo de eficiência, mostra que gestão pública exige mais do que propaganda e promessas eleitorais: exige planejamento, execução e resultados concretos. No ritmo atual, o programa corre o risco de se transformar em mais uma vitrine de obras inacabadas, enquanto o governo tenta transformar investimento público em capital político.

📢 Centro Democrático: transparência, eficiência e resultados concretos, sempre em primeiro lugar.