
Pré-candidato a presidente da República repete suspeitas infundadas que embasaram reportadas do pai, Jair Bolsonaro.
Cada força política parece ter seus dogmas. O petismo segue a acreditar em uma economia tocada pela força do Estado e a desconfiar do capitalismo liberal, por exemplo. De alguma forma, nunca superou a queda do muro de Berlim, em 1989. O bolsonarismo tem outros axiomas. Um é o de que seria parte de uma guerra civilizacional planetária pelos valores da família e da pátria. Outro é que só perdeu as eleições de 2022 por causa de fraude nas urnas eletrônicas.
Essa verdade é tão forte no modo de ser da seita política que parece não ter muita reflexão ou mudança de rota mesmo com as consequências dramáticas. Entre elas, a inelegibilidade e mesmo a prisão por tentativa de golpe de Estado do líder Jair Bolsonaro.
Na fábula da tribo, o ex-presidente só tentou intervir no processo eleitoral porque Lula só teria sido eleito devido a uma burla nos sistemas eletrônicos. Fala-se de alteração do código fonte, de hackers, etc. etc. Não há necessidade de tentativas para entender isso. Centenas que tinham esse sugestão depredaram os prédios da Praça dos Três Poderes no fatídico 8 de janeiro de 2023.
Mais do que uma fé cega numa fraude, a prosa serve ao oportunismo político de ocasião. No seguinte sentido: em caso de possível derrota nas eleições presidenciais deste ano, já haverá um consolo no coração e algo para alimentar a chama do bolsonarismo em mais uma travessia do deserto da oposição. “Só perdemos porque mais uma vez fomos vítimas de fraude”, dizer, discretamente, nas conversas íntimas ou nos grupos de aplicativos.
O posicionamento de Flávio serve a esses propósitos internos, por mais que venham as consequências da justiça eleitoral – que, aliás, seria apenas mais um braço do sistema que envelhece para sufocá-los, segundo as teses que defende.