Aécio diz que falta de experiência de Zema tirou Minas Gerais da liderança política nacional

O candidato ao Senado por Minas Gerais Aécio Neves (PSDB) afirmou que o estado perdeu espaço nas discussões políticas nacionais nos últimos anos e atribuiu parte desse cenário à falta de experiência política do ex-governador Romeu Zema (NOVO). A declaração foi dada em entrevista à Rádio Itatiaia nesta sexta-feira (4).
Ao comentar a atuação política de Minas Gerais durante a gestão Zema, Aécio afirmou que o estado deixou de exercer o papel de liderança que historicamente ocupou no cenário nacional. Segundo ele, a ausência de uma articulação mais ampla em Brasília reduziu a capacidade de influência dos interesses mineiros em decisões importantes.
“Nós saímos do jogo político nacional. Em discussão, como, por exemplo, a reforma tributária recentemente, a voz de Minas era muito distante, muito frágil”, afirmou.
Questionado sobre se a postura de confronto de Zema com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teria prejudicado Minas Gerais, Aécio evitou fazer uma avaliação pessoal sobre o ex-governador, mas defendeu que governadores precisam manter canais de diálogo institucional com o governo federal, independentemente de diferenças partidárias.
O tucano citou sua própria experiência à frente do governo mineiro entre 2003 e 2010, período em que Lula ocupava a Presidência da República. Segundo Aécio, mesmo com divergências políticas e de visão administrativa, a relação institucional foi mantida em defesa dos interesses do estado.
“Eu era adversário político dele, do ponto de vista conceitual, de gestão, dessa despesa com a qual eu não concordo, do ponto de vista fiscal temos diferenças, mas jamais deixamos de tratar com prioridade os interesses do Brasil ou do meu Estado”, declarou.
Para Aécio, a capacidade de articulação política é uma ferramenta fundamental para governadores conseguirem recursos e defenderem demandas estaduais em Brasília. Segundo ele, a relação republicana entre diferentes esferas de governo deve estar acima das disputas partidárias.
“Manter essa relação republicana, mesmo com um governante de oposição ou de um partido político distante do senhor, é essencial para quem administra”, afirmou.
Ao falar diretamente sobre Zema, Aécio disse que o ex-governador poderia ter utilizado uma postura diferente na relação com o governo federal e apontou a experiência política como um fator determinante para ampliar a capacidade de negociação de Minas.
“Talvez tenha faltado a ele apenas uma experiência política maior, a compreensão da força e da importância de Minas Gerais para negociar em melhores condições os nossos interesses”, disse.
A declaração acontece durante a disputa eleitoral de 2026, em um cenário em que Aécio busca retornar ao Senado e Zema disputa espaço nacional como candidato à Presidência da República pelo Novo.