Política com conteúdo. Centro com clareza.
segunda-feira, 28 de setembro
Assinar
Agora
Medidas de Lula às vésperas da eleição exigem ajuste de R$ 33 bilhões no Orçamento de 2027Trump e Xi anunciam avanço comercial e envio de pandas aos EUA após encontro em WashingtonGreve da Caixa: agências retomam atendimento parcial após decisão do TSTLula tem 39% e Flávio 34% no 1º turno, diz pesquisa QuaestGilmar Mendes cobra investigação sobre precatórios do Banco Master e cita contrato de R$ 427 milhões
Política

Insatisfeito com campanha, Lula restringe núcleo próximo a 4 pessoas

Por Brasil no Centro Publicado em 5 de setembro de 2026 às 14:37 4 min de leitura
Compartilhar
Insatisfeito com campanha, Lula restringe núcleo próximo a 4 pessoas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu reduzir o grupo responsável pelas principais decisões de sua campanha à reeleição após demonstrar insatisfação com a dificuldade de melhorar os índices de avaliação do governo e ampliar sua vantagem eleitoral. A estratégia passou a ser concentrar as discussões em um núcleo mais restrito, formado atualmente por quatro pessoas de confiança.

Segundo auxiliares, Lula tem demonstrado preocupação com a manutenção dos números de aprovação da gestão e com a dificuldade de transformar o início da propaganda eleitoral em uma melhora mais significativa na percepção dos eleitores. Embora apareça na liderança dos levantamentos de intenção de voto, o presidente avalia que o cenário segue apertado para a disputa de 2026.

O núcleo mais próximo da campanha passou a reunir os ministros Sidônio Palmeira (Secretaria de Comunicação Social) e Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da Presidência), o presidente nacional do PT, Edinho Silva, e Paulo Okamotto, amigo pessoal de Lula, que participa de forma mais pontual das conversas.

Outros integrantes do governo e da equipe política são chamados conforme os temas tratados nas reuniões. Entre eles estão ministros e dirigentes partidários que mantêm interlocução direta com o presidente, mas que deixaram de participar de todos os encontros estratégicos.

A mudança ocorre após aliados identificarem dificuldades de coordenação e episódios de vazamento de informações internas discutidas em reuniões ampliadas. A avaliação dentro da campanha é de que a estrutura precisava ser mais centralizada para evitar ruídos e acelerar decisões.

Lula avalia reforço com nomes históricos do PT

Entre as possibilidades analisadas pelo presidente está a entrada de novos nomes no comando da campanha, incluindo o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante. A ideia seria repetir parte da estrutura política que participou da campanha vitoriosa de 2022.

Também são citados como possíveis reforços a ex-presidente do PT Gleisi Hoffmann (PT) e o deputado federal Rui Falcão (PT). A participação dos dois, porém, enfrenta resistências internas e depende da reorganização das funções dentro da campanha.

A necessidade de ajustes ocorre em um momento de disputa mais acirrada. Pesquisa Datafolha divulgada recentemente mostrou Lula com 38% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 33%. No segundo turno, os dois candidatos aparecem tecnicamente empatados dentro da margem de erro do levantamento.

Além do cenário eleitoral, a avaliação negativa do governo também preocupa aliados. Segundo a pesquisa, 42% dos entrevistados consideram a administração Lula ruim ou péssima, enquanto 31% avaliam o governo como ótimo ou bom.

Aliados apontam problemas na estratégia eleitoral

Integrantes da campanha também relatam insatisfação com o ritmo de execução de algumas ações, como a distribuição de materiais eleitorais e a presença do presidente em agendas nos estados.

Entre as críticas internas está a dificuldade de Lula em seguir roteiros planejados em eventos estratégicos. Em uma convenção partidária recente, por exemplo, o presidente abandonou o discurso preparado e fez uma fala improvisada de longa duração.

Outro episódio citado por aliados foi a participação da primeira-dama Janja Lula da Silva em atos políticos, incluindo discursos e apresentações ao lado de lideranças religiosas. Parte da equipe avaliou que essas participações precisam ser melhor coordenadas dentro da estratégia geral da campanha.

Petistas também apontaram que Lula deixou de explorar com mais força temas considerados prioritários pelo partido, como a defesa da redução da jornada de trabalho. A proposta tem apoio de parcela significativa da população e é uma das principais bandeiras apresentadas pela campanha governista.

Com a disputa eleitoral mais competitiva e o eleitorado dividido entre os principais polos políticos, Lula tenta reorganizar sua equipe para recuperar protagonismo e reduzir desgastes internos antes da fase decisiva da campanha presidencial.