Marqueteiro de Augusto Cury nega uso de robôs: “ele fala o que o eleitor quer ouvir”

O marqueteiro Sérgio Lima, responsável pela estratégia digital da campanha presidencial de Augusto Cury (Avante), negou que o crescimento recente do candidato tenha relação com o uso de robôs ou mecanismos artificiais de engajamento nas redes sociais. Em entrevista, o estrategista afirmou que a alta nas pesquisas seria resultado da identificação dos eleitores com o discurso apresentado pelo escritor durante a campanha.
Cury passou a ganhar maior projeção após participações públicas e debates eleitorais, saindo de índices próximos a 2% para alcançar 8% em levantamentos recentes. O crescimento chamou atenção de adversários, que passaram a levantar suspeitas sobre a atuação de redes digitais em favor do candidato.
Sérgio Lima classificou as acusações como uma “teoria da conspiração” e afirmou que o avanço do nome de Cury ocorreu pela combinação entre reconhecimento público, comunicação nas redes sociais e uma estratégia de aproximação direta com eleitores.
“Ele fala o que o eleitor quer ouvir. Tem muito estrategista falando da importância das redes sociais, querendo criar memes e coisas criativas. Os marqueteiros das antigas não entendem a internet, querem selecionar peças típicas de TV para o candidato postar nas suas redes”, afirmou.
Segundo o estrategista, Augusto Cury já possuía uma marca conhecida nacionalmente por sua trajetória como escritor, mas ainda não era associado diretamente à política. A campanha teria explorado essa familiaridade para apresentar o candidato além dos livros e palestras.
Para Lima, o desempenho de Cury em debates também contribuiu para ampliar sua exposição. O marqueteiro citou como momento decisivo a participação do candidato em um debate presidencial, quando teria conseguido se destacar diante dos demais concorrentes.
Marqueteiro nega pagamento a influenciadores
Questionado sobre a atuação de perfis de entretenimento e páginas de grande alcance que passaram a comentar a candidatura de Cury, Sérgio Lima afirmou que o movimento ocorreu de forma espontânea após o crescimento da campanha.
O estrategista negou que a campanha tenha pago influenciadores para divulgar conteúdos favoráveis ao candidato e afirmou que esse tipo de prática seria ilegal segundo as regras eleitorais.
“Não. Isso é crime segundo a Justiça Eleitoral”, declarou.
Lima também rejeitou comparações entre o crescimento de Cury e estratégias associadas ao ex-candidato Pablo Marçal (PRTB), afirmando que a dinâmica das redes sociais não depende apenas de estruturas organizadas, mas da capacidade de gerar conexão com o público.
Campanha admite necessidade de apresentar propostas
Apesar de defender o desempenho do candidato até agora, o marqueteiro reconheceu que a campanha precisa avançar na apresentação de propostas e detalhar melhor como seria um eventual governo de Augusto Cury.
Segundo ele, a mensagem inicial baseada na ideia de unir pontos positivos de diferentes governos precisa evoluir para uma identidade própria.
“Não dá para falarmos apenas que um governo nosso teria o melhor do Lula e o melhor do Flávio. Precisamos esclarecer o que seria o governo do Cury”, afirmou.
O estrategista também avaliou que o candidato precisa equilibrar o estilo mais emocional e literário, marcado por frases de impacto e metáforas, com uma comunicação mais objetiva sobre políticas públicas.
“Ele era o poeta, agora é um político”, disse.
Disputa pelo eleitorado de centro-direita
Sérgio Lima também comentou o cenário eleitoral e avaliou que a disputa pelo espaço fora da polarização entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) segue aberta.
Na avaliação do marqueteiro, candidatos como Romeu Zema (NOVO), Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) enfrentam dificuldades para consolidar uma mensagem nacional.
Para ele, o crescimento de Cury ocorre em um momento em que parte do eleitorado busca alternativas aos dois principais polos políticos.
A campanha do escritor tenta ocupar esse espaço apresentando uma imagem associada à renovação política e ao discurso de combate à polarização, enquanto busca transformar a popularidade construída fora da política em força eleitoral.