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Quase metade dos estudantes brasileiros já usa IA para estudar, aponta Pisa

Por Brasil no Centro Publicado em 8 de setembro de 2026 às 12:34 4 min de leitura
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Quase metade dos estudantes brasileiros já usa IA para estudar, aponta Pisa

A inteligência artificial já faz parte da rotina de estudos de quase metade dos adolescentes brasileiros. Dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) de 2025 mostram que 47,8% dos alunos do país afirmam utilizar ferramentas de inteligência artificial pelo menos uma vez por semana para estudar. O índice supera ligeiramente a média registrada entre os países e economias que integram a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), de 45,5%.

O levantamento, divulgado nesta terça-feira (8), é considerado uma das principais referências internacionais para avaliar a qualidade da educação. A avaliação acompanha estudantes de 15 anos e procura medir conhecimentos e habilidades considerados fundamentais para a participação na vida social e econômica.

O avanço da inteligência artificial entre os estudantes ocorre ao mesmo tempo em que cresce a preocupação com o uso inadequado de dispositivos digitais dentro das escolas. No Brasil, 81% dos alunos que participaram do Pisa estudam em instituições que possuem algum tipo de restrição ao uso de celulares. Entre os países da OCDE, a média é de 49%.

O percentual brasileiro também aumentou de forma significativa em relação a 2023, quando 37% dos estudantes estavam em escolas com regras de restrição aos aparelhos. Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), os resultados estão relacionados às evidências de que regras para limitar o uso de dispositivos podem reduzir a frequência com que os próprios alunos relatam distrações digitais.

Outro dado chama atenção: 50,2% dos estudantes brasileiros disseram não se distrair com dispositivos digitais. O resultado aparece em um cenário internacional marcado por discussões sobre os efeitos do excesso de tecnologia sobre a concentração e o processo de aprendizagem.

O Pisa também investigou se os estudantes estão sendo preparados para lidar de maneira crítica com conteúdos produzidos por inteligência artificial. No Brasil, 51,2% afirmaram ter aprendido nas aulas como avaliar informações geradas por ferramentas de IA.

A presença crescente da tecnologia, entretanto, convive com dificuldades mais tradicionais da educação brasileira. Os resultados gerais do Pisa 2025 mostram que o país permanece distante dos níveis médios de desempenho registrados pela OCDE.

Na comparação com a edição de 2022, a nota brasileira em Ciências avançou de 403 para 409 pontos. Em Leitura, houve queda de 410 para 408 pontos, enquanto Matemática recuou de 379 para 377 pontos.

O desempenho mantém o Brasil entre os países com resultados mais baixos da avaliação. Entre 90 países e economias participantes, o país aparece com a 24ª pior pontuação em Matemática, a 36ª mais baixa em Leitura e a 24ª em Ciências.

A distância em relação à média da OCDE continua expressiva. Em Matemática, são 92 pontos de diferença, com 377 pontos do Brasil contra 469 da organização. Em Leitura, a diferença chega a 58 pontos, enquanto em Ciências também permanece significativa.

O cenário internacional, por outro lado, revela que as dificuldades educacionais não estão restritas ao Brasil. Países tradicionalmente reconhecidos por seus sistemas de ensino também registraram perdas importantes de desempenho. A Finlândia, por exemplo, acumulou uma redução de 80 pontos em Matemática e de 73 em Leitura entre 2006 e 2025.

Ainda assim, os resultados brasileiros mostram que a incorporação de novas tecnologias não elimina os desafios básicos de aprendizagem. A inteligência artificial já chegou às salas de aula e à rotina dos estudantes, mas o desempenho em competências fundamentais continua sendo um dos principais obstáculos para a educação do país.

O Pisa é realizado a cada três anos pela OCDE e reúne estudantes de dezenas de países e economias. No Brasil, mais de 30 mil alunos participaram da edição de 2025, representando uma parcela da população de adolescentes de 15 anos matriculados nas escolas brasileiras.