Política com conteúdo. Centro com clareza.
segunda-feira, 28 de setembro
Assinar
Agora
Medidas de Lula às vésperas da eleição exigem ajuste de R$ 33 bilhões no Orçamento de 2027Trump e Xi anunciam avanço comercial e envio de pandas aos EUA após encontro em WashingtonGreve da Caixa: agências retomam atendimento parcial após decisão do TSTLula tem 39% e Flávio 34% no 1º turno, diz pesquisa QuaestGilmar Mendes cobra investigação sobre precatórios do Banco Master e cita contrato de R$ 427 milhões
Política

Entidades internacionais recorrem à OCDE contra decisão de Toffoli sobre provas da Odebrecht

Por Brasil no Centro Publicado em 10 de setembro de 2026 às 13:58 4 min de leitura
Compartilhar
Entidades internacionais recorrem à OCDE contra decisão de Toffoli sobre provas da Odebrecht

Pelo menos 30 organizações internacionais de 21 países encaminharam uma carta à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) para pedir providências em relação à decisão do ministro Dias Toffoli (STF) que anulou provas obtidas a partir do acordo de leniência firmado pela Odebrecht no âmbito da Operação Lava Jato.

A manifestação foi apresentada três anos após a decisão, tomada em 6 de setembro de 2023. As entidades sustentam que o caso ultrapassa as fronteiras brasileiras e pode ter consequências para mecanismos de cooperação jurídica internacional e para investigações de corrupção transnacional.

Segundo o documento, três recursos foram apresentados contra a decisão de Toffoli, mas nenhum deles teria sido analisado até agora de forma colegiada pelo Supremo Tribunal Federal. As organizações pedem que a OCDE cobre esclarecimentos da Corte brasileira sobre a tramitação dos recursos.

As entidades também solicitam que a organização internacional consulte os demais países integrantes para verificar se a decisão brasileira produziu efeitos sobre investigações ou processos relacionados ao caso Odebrecht em outras jurisdições.

Outro pedido apresentado é para que a OCDE recomende aos países membros a preservação de investigações que tenham utilizado informações extraídas dos sistemas eletrônicos da empreiteira. Para as organizações, a manutenção desses dados seria importante para evitar que decisões tomadas no Brasil comprometam apurações conduzidas em outros países.

A carta afirma que a decisão teve efeitos relevantes sobre um dos maiores casos internacionais de corrupção já investigados. As entidades argumentam que a anulação das provas provocou consequências em diferentes processos e dificultou a cooperação entre autoridades brasileiras e estrangeiras.

Decisão sobre provas da Odebrecht

A decisão de Dias Toffoli foi tomada em setembro de 2023, a partir de um pedido apresentado pela defesa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O ministro determinou a invalidação das provas obtidas por meio do acordo de leniência da Odebrecht que haviam sido utilizadas contra Lula no contexto da Lava Jato.

A decisão alcançou também outros processos e condenações que utilizaram elementos provenientes dos sistemas internos da empreiteira, conhecidos como Drousys e My Web Day B.

A defesa sustentou que os elementos haviam sido obtidos de maneira irregular durante as investigações. Toffoli acolheu os argumentos e considerou inválidas as provas derivadas dos sistemas utilizados pelo departamento de operações estruturadas da Odebrecht.

A decisão, contudo, não anulou os acordos de leniência firmados pela empresa nem determinou a devolução das multas pagas no âmbito desses acordos.

A controvérsia passou a ter repercussão internacional justamente porque as informações da Odebrecht foram utilizadas em investigações conduzidas não apenas no Brasil, mas também em outros países. A atuação da empreiteira e de seus executivos deu origem a apurações sobre pagamento de propinas e contratos públicos em diferentes jurisdições.

Na avaliação das organizações que recorreram à OCDE, a situação exige atenção internacional porque decisões judiciais brasileiras podem afetar o compartilhamento de informações e a continuidade de investigações conduzidas em parceria com autoridades estrangeiras.

A iniciativa ocorre em um momento em que a atuação do Supremo e os limites de decisões individuais de ministros voltaram ao centro do debate público. A cobrança das entidades internacionais acrescenta uma dimensão externa à discussão sobre transparência, segurança jurídica e análise colegiada de decisões com efeitos abrangentes.