Aécio destaca papel do senado na renegociação da dívida de Minas

O candidato ao Senado por Minas Gerais Aécio Neves (PSDB) afirmou, em entrevista à Itatiaia, que a renegociação da dívida do Estado com a União deve estar entre as principais prioridades de sua atuação no Congresso. Para o tucano, a dimensão do problema exige capacidade de articulação em Brasília e diálogo com diferentes forças políticas para garantir que Minas tenha condições de voltar a investir em áreas essenciais.
Aécio defendeu que o Senado pode exercer papel decisivo na construção de soluções para a situação financeira dos Estados. Na avaliação do candidato, a discussão não deve se limitar ao pagamento da dívida, mas considerar também a necessidade de preservar recursos para saúde, segurança, educação, infraestrutura e recuperação das estradas mineiras.
O candidato também afirmou que pretende usar a experiência acumulada ao longo de sua trajetória política para ampliar a capacidade de negociação de Minas Gerais em Brasília. Segundo ele, a presença de uma representação política com trânsito entre diferentes grupos pode ajudar o Estado a defender seus interesses diante do governo federal, independentemente de quem esteja no comando do Palácio do Planalto.
Aécio citou como exemplo o período em que governou Minas Gerais, entre 2003 e 2010, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ocupava a Presidência da República. Apesar das divergências políticas entre os dois, o tucano afirmou que manteve uma relação institucional com o governo federal para tratar de questões de interesse do Estado.
Para Aécio, essa capacidade de diálogo é especialmente importante para um senador. O cargo, segundo ele, exige disposição para negociar com governos de diferentes orientações políticas e buscar resultados concretos para os Estados que representa.
“Sou um homem de centro, o que me permite dialogar de forma respeitosa com todas as correntes ideológicas”, afirmou.
A proposta apresentada pelo candidato inclui a formação de uma articulação entre senadores do Sudeste para discutir mecanismos que permitam transformar parte dos recursos destinados ao pagamento das dívidas estaduais em investimentos nas próprias regiões. Aécio estima que uma bancada regional poderia reunir cerca de 20 senadores e atuar conjuntamente na defesa dessas medidas.
“Minha relação com Minas, minha história no Estado e a conexão institucional que construí com figuras políticas de todo o Brasil são elementos que vão me ajudar a buscar esses recursos. Não farei isso sozinho, mas tenho conhecimento do caminho a percorrer”, declarou.
A dívida de Minas com a União se tornou um dos principais temas da agenda política estadual nos últimos anos. O Estado aderiu ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados, o Propag, como alternativa para reorganizar seus compromissos financeiros e reduzir a pressão sobre o caixa estadual.
Na avaliação de Aécio, a solução para o endividamento precisa estar associada à recuperação da capacidade de investimento de Minas. O objetivo, segundo ele, é evitar que o serviço da dívida continue comprimindo recursos que poderiam ser destinados diretamente à população.
A candidatura ao Senado representa uma mudança na trajetória política planejada por Aécio para 2026. O tucano havia sinalizado inicialmente que permaneceria à frente da presidência nacional do PSDB e se dedicaria à reorganização do partido. A decisão de disputar uma vaga no Senado ocorreu posteriormente, após pedidos de prefeitos, lideranças políticas e representantes de diferentes setores do Estado.
“Perdemos muita substância, inclusive nacionalmente. Não fui eu que busquei a candidatura, ela veio ao meu encontro”, afirmou.
Na entrevista, Aécio também voltou a defender uma atuação política distante da polarização entre os grupos ligados ao presidente Lula e ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Para o candidato, Minas precisa recuperar protagonismo nas decisões nacionais e ter uma representação capaz de conversar com diferentes setores do Congresso e do Executivo.
Aécio sustenta que a experiência acumulada em cargos no Legislativo e no Executivo pode ser utilizada para ampliar a influência de Minas nas negociações nacionais. A prioridade, segundo ele, seria transformar essa interlocução em recursos, investimentos e soluções para problemas que afetam diretamente os mineiros.
“Se eu estiver no Senado, isso será uma vantagem para buscar soluções que beneficiem o país e o Estado”, afirmou.