
O deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG), presidente do Instituto Teotônio Vilela (ITV), rebateu nesta quinta-feira (28) a declaração do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que afirmou que a “parte boa” do PSDB estaria hoje apoiando o governo Lula.
Em vídeo divulgado em suas redes, Aécio classificou a fala como “falsa e oportunista” e destacou que, ao longo de sua história, o PSDB sempre se posicionou como força de oposição ao PT. “O ‘nós contra eles’, criação genuína do petismo, só fez mal ao Brasil e continua fazendo. Ser opositor do PT não nos torna aliados da direita radical. Existe vida inteligente entre os extremos, e a saída para o Brasil será sempre pelo equilíbrio”, afirmou.
Coerência como marca
Aécio lembrou que tucanos que decidiram apoiar Lula tiveram de deixar o partido, justamente porque o PSDB manteve sua coerência histórica. Segundo ele, parte do processo de redução de tamanho da legenda ao longo dos últimos anos se deve a essa postura: quem buscou alinhar-se a Lula ou a Bolsonaro deixou a sigla, enquanto o PSDB permaneceu fiel à sua identidade.
Essa coerência, avalia Aécio, permitiu ao partido manter-se como oposição firme ao PT, mas sem ceder ao extremismo do bolsonarismo. Foi essa linha que, segundo ele, fez do PSDB o único partido nacional a não se curvar nem a Lula nem a Bolsonaro.
PSDB no centro do tabuleiro
O embate com Haddad expõe mais uma vez o esforço tucano de se recolocar no tabuleiro nacional como alternativa fora da polarização. Ao reforçar que o PSDB jamais apoiou nem apoiará Lula, Aécio busca reafirmar os valores do partido: a defesa da responsabilidade fiscal, da democracia representativa e de um projeto de país construído no centro político.
Para o deputado, enquanto o governo Lula insiste em se alimentar da disputa com o bolsonarismo, o Brasil segue sofrendo com inflação, alta de impostos e carestia. E é nesse espaço de oposição propositiva, mas distante dos extremos, que o PSDB pretende se reafirmar.