Aldo Rebelo lança candidatura presidencial com crítica ao STF e Kassab na mesa

O lançamento da pré-candidatura presidencial de Aldo Rebelo (DC) escancarou, já no primeiro ato, o tom político que o ex-ministro pretende adotar em 2026. Em evento realizado em São Paulo, Aldo defendeu limites à atuação do Supremo Tribunal Federal, falou em desequilíbrio institucional e recebeu apoio de figuras que transitaram por diferentes governos, de Lula a Bolsonaro.
O encontro reuniu ex-ministros, ex-parlamentares, sindicalistas e lideranças do setor produtivo. Chamou atenção a presença do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, que passou rapidamente pelo local e virou alvo de comentários bem-humorados entre os participantes, em meio às especulações sobre o tabuleiro presidencial e o papel do partido no próximo pleito.
Entre os nomes presentes estavam Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura no governo Lula, Leandro Cruz, que comandou o Esporte na gestão Temer, além do almirante Bento Albuquerque e do general Fernando Azevedo, ambos ex-ministros do governo Bolsonaro. A diversidade do público foi lida por aliados como uma tentativa de Aldo de se apresentar como uma candidatura fora da polarização tradicional.
Em discurso longo e enfático, Aldo Rebelo defendeu uma agenda de desenvolvimento baseada em ciência, tecnologia e fortalecimento da produção nacional. Também abordou temas sensíveis, como a mineração em áreas estratégicas e a ampliação da fronteira agrícola, com foco na soberania econômica e no crescimento do país.
O ponto mais aplaudido da fala foi a crítica direta ao Supremo Tribunal Federal. Aldo afirmou que a Corte tem avançado sobre atribuições do Congresso, citando o debate sobre o marco temporal das terras indígenas como exemplo. Para ele, a concentração de poder no Judiciário gera insegurança institucional e fragiliza a democracia.
“O Supremo não pode ser um poder acima dos demais”, afirmou, sob aplausos e gritos da plateia, que entoou palavras de ordem contra o protagonismo do Judiciário. O tom do evento deixou claro que a candidatura de Aldo Rebelo pretende dialogar com setores críticos ao STF e ao atual arranjo institucional.
A ausência de Fabio Wajngarten, citado nos bastidores como possível vice, também foi notada. Oficialmente, o motivo foi pessoal, mas há resistência de parte dos apoiadores à composição da chapa.
Com discurso nacionalista, crítica institucional e articulação ampla, Aldo Rebelo entra na disputa presidencial buscando ocupar um espaço que mistura conservadorismo institucional, desenvolvimento econômico e contestação ao atual protagonismo do Judiciário.