Alimentos voltam a subir às vésperas da eleição e pressionam inflação de setembro

Os preços dos alimentos consumidos em casa voltaram a subir em setembro, segundo o IPCA-15 divulgado pelo IBGE na sexta-feira (25). A alta de 0,38% interrompeu dois meses consecutivos de queda e pressionou a prévia da inflação a poucos dias do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro.
O tomate teve o aumento mais expressivo entre os produtos destacados no levantamento, de 20,76%. O arroz subiu 2,39% e as carnes, 1,3%. As altas vieram depois de recuos de 1,14% em julho e 0,97% em agosto nos preços da alimentação no domicílio.
O movimento não foi uniforme. O feijão-carioca ficou 6,33% mais barato, a cebola caiu 4,41% e o café moído recuou 1,36%. Ainda assim, no conjunto dos produtos comprados para consumo em casa, prevaleceu a alta. Consideradas também as refeições fora do domicílio, o grupo alimentação e bebidas avançou 0,4% em setembro.
O resultado recoloca o custo da alimentação no debate da campanha presidencial. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disputa a reeleição, enquanto adversários exploram o peso das compras de supermercado no orçamento das famílias. A campanha do governo destaca indicadores de emprego e renda, mas os novos dados mostram que os preços dos alimentos seguem sujeitos a oscilações percebidas diretamente pelo consumidor.
De janeiro a setembro, a alimentação no domicílio acumula alta de 4,08% no IPCA-15. A variação é inferior à registrada no mesmo período de 2022, quando chegou a 11,82%. Isso não significa, porém, que os preços retornaram aos patamares anteriores: eles continuam subindo, embora em ritmo menor.
O IPCA-15 é divulgado antes do IPCA, índice oficial de inflação do país, e serve como sinal dos movimentos de preços. O resultado fechado de setembro será conhecido em 9 de outubro, cinco dias após o primeiro turno.