Política com conteúdo. Centro com clareza.
terça-feira, 29 de setembro
Assinar
Agora
Medidas de Lula às vésperas da eleição exigem ajuste de R$ 33 bilhões no Orçamento de 2027Trump e Xi anunciam avanço comercial e envio de pandas aos EUA após encontro em WashingtonGreve da Caixa: agências retomam atendimento parcial após decisão do TSTLula tem 39% e Flávio 34% no 1º turno, diz pesquisa QuaestGilmar Mendes cobra investigação sobre precatórios do Banco Master e cita contrato de R$ 427 milhões
Política

Alta do leite no Brasil surpreende e passa de 20% no bolso do consumidor

Por Brasil no Centro Publicado em 18 de maio de 2026 às 17:20 3 min de leitura
Compartilhar
Alta do leite no Brasil surpreende e passa de 20% no bolso do consumidor

O preço do leite longa vida no Brasil acumulou uma alta superior a 20% nos últimos meses, de acordo com os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça‑feira (12). As estatísticas oficiais revelam que apenas em abril o preço do principal item lácteo subiu 13,66%, contribuindo de forma significativa para a elevação geral dos alimentos no país.

Especialistas ouvidos pelo IBGE apontam que a escalada de preços está ligada, em grande parte, ao aumento de custos no transporte e na produção. Com o agravamento do conflito no Oriente Médio e a elevação das cotações internacionais do petróleo, os preços dos combustíveis — elemento central da logística agrícola — sofreram pressão. No Brasil, a gasolina registrou alta de 1,86% em abril, enquanto o óleo diesel avançou 4,46%, elevando o custo do frete e dos insumos usados na cadeia produtiva do leite.

Segundo o gerente de pesquisa do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do IBGE, José Fernando Gonçalves, os combustíveis têm impacto direto no preço final dos alimentos. Ele destacou que, com o aumento dos valores do transporte, os custos de distribuição se refletem nas prateleiras.

Além dos custos de logística, a oferta de leite no campo também foi afetada por condições climáticas adversas. A sequência de períodos de seca no fim do ano passado e início deste ano reduziu a qualidade das pastagens, obrigando produtores a complementar a dieta dos animais com rações mais onerosas. Essa mudança, combinada à redução da oferta, puxou os preços do produto para cima.

No conjunto de alimentos e bebidas, os números do IBGE mostram que o grupo registrou avanço de 1,34% em abril, com forte impacto também de itens como cenoura (26,63%), cebola (11,76%), tomate (6,13%) e carnes (1,59%). Esses aumentos contribuem para que a inflação geral da alimentação permaneça elevada no país.

Apesar de a inflação oficial ter desacelerado de 0,88% em março para 0,67% em abril, o IPCA acumula alta de 4,39% nos últimos 12 meses. No primeiro quadrimestre de 2026, o segmento de alimentos e bebidas mostra um avanço de 3,70%, reforçando o efeito dos preços mais altos no orçamento das famílias brasileiras.

O comportamento do preço do leite e de outros itens básicos segue sendo um dos principais indicadores observados por economistas e formuladores de política pública, em um momento em que custos externos e internos pressionam a inflação doméstica.