CGU aponta falhas na Eletronuclear e TCU estima desperdício bilionário na retomada de Angra 3

Auditoria identifica ausência de plano de contingência e Tribunal de Contas calcula R$ 2 bilhões em gastos sem solução definitiva para a usina

CGU aponta falhas na Eletronuclear e TCU estima desperdício bilionário na retomada de Angra 3

A retomada das obras de Angra 3 voltou ao centro do debate após a Controladoria-Geral da União apontar fragilidades na gestão da Eletronuclear. De acordo com auditoria do órgão de controle, a estatal não estruturou adequadamente a avaliação de riscos relacionada à continuidade do empreendimento, que se arrasta há mais de quatro décadas.

O projeto da usina nuclear, localizada em Angra dos Reis, no litoral do Rio de Janeiro, acumula paralisações, revisões contratuais e sucessivas reavaliações técnicas e financeiras. Segundo levantamento do Tribunal de Contas da União, a indefinição do governo federal sobre o futuro da obra resultou em aproximadamente R$ 2 bilhões em despesas nos últimos dois anos, mesmo sem decisão definitiva sobre sua conclusão.

A CGU identificou que a empresa não dispõe de um plano de contingência estruturado caso a retomada seja novamente interrompida. A ausência de estratégia formal para cenários adversos amplia a exposição financeira do projeto e eleva o risco de novos prejuízos aos cofres públicos.

Angra 3 é considerada uma das obras mais emblemáticas da infraestrutura energética brasileira. Iniciada nos anos 1980, a construção foi marcada por interrupções prolongadas e por investigações no âmbito da Operação Lava Jato. Desde então, o empreendimento tornou-se símbolo de ineficiência administrativa e de dificuldades de governança em projetos de grande porte.

A Eletronuclear não se manifestou oficialmente sobre as conclusões da auditoria até a publicação desta reportagem. O espaço permanece aberto para posicionamento.

O episódio reforça a necessidade de maior rigor técnico e responsabilidade fiscal em projetos estratégicos do setor energético. Em um cenário de restrições orçamentárias, decisões envolvendo investimentos bilionários exigem planejamento transparente e critérios claros de viabilidade econômica.

O governo federal ainda avalia os próximos passos para Angra 3. Enquanto isso, os órgãos de controle mantêm acompanhamento permanente da execução financeira e dos riscos associados ao empreendimento.