
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT-SP), deverá ser apresentado publicamente como pré-candidato ao governo de São Paulo nos próximos dias, em uma agenda política que contará com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O movimento marca o início da organização do campo governista para a disputa estadual de 2026.
A expectativa é que o anúncio ocorra durante compromissos oficiais previstos para a próxima quinta-feira na capital paulista e na região do ABC. Haddad acompanhará Lula em dois eventos públicos, um na Zona Norte da cidade de São Paulo e outro em São Bernardo do Campo, tradicional reduto político do petismo.
Pela manhã, o presidente e o ministro participarão de um encontro da Caravana Federativa realizado no Expo Center Norte. A iniciativa reúne representantes de estados e municípios para discutir programas e ações da administração federal. Na sequência, a comitiva deve seguir para a Universidade Federal do ABC, onde está programada uma cerimônia em homenagem ao ex-presidente uruguaio José Mujica.
Nos bastidores do governo federal e do partido, a agenda é vista como o momento em que Haddad começará a se posicionar de forma mais clara no cenário eleitoral paulista. Interlocutores próximos ao ministro afirmam que o gesto político ocorrerá em meio às atividades públicas, respeitando as limitações impostas pela legislação eleitoral.
Ainda não há definição sobre a forma exata como o anúncio será feito. Uma das possibilidades discutidas por aliados é que a manifestação ocorra fora dos espaços oficiais dos eventos, para evitar questionamentos sobre eventual uso de estrutura institucional em atividade de natureza política.
Após a agenda, a expectativa dentro do governo é que Haddad deixe o comando do Ministério da Fazenda. A eventual saída da pasta deverá ser formalizada nos dias seguintes, com publicação no Diário Oficial da União.
A movimentação ocorre em meio às articulações dos partidos para a disputa pelo Palácio dos Bandeirantes. Nos últimos meses, o nome do ministro passou a ser considerado dentro do campo governista como a principal alternativa para enfrentar o atual governador de São Paulo no próximo pleito.
Embora tenha resistido inicialmente à possibilidade de disputar novamente o governo paulista, aliados do ministro afirmam que o cenário eleitoral e as pressões internas do partido contribuíram para consolidar sua decisão de entrar na disputa.
A agenda com o presidente também contará com a presença da ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB-MS), que tem participado das articulações políticas da base do governo.
A definição de nomes para vice-governador e para a segunda vaga ao Senado na chapa ainda não foi anunciada e deverá ocorrer em etapas posteriores das negociações partidárias.