
A condenação do ex-governador Cláudio Castro (PL) pelo Tribunal Superior Eleitoral alterou o cenário político no Rio de Janeiro e levou o Partido Liberal a recuar da estratégia de lançá-lo ao Senado em 2026. A inelegibilidade imposta pela Justiça inviabiliza a candidatura no curto prazo e fez a direção nacional da sigla adotar uma postura mais cautelosa diante do risco de uma disputa judicial prolongada.
Nos bastidores, a decisão já vinha sendo amadurecida. Embora o partido mantivesse publicamente o discurso de apoio, havia resistência interna à ideia de sustentar uma candidatura sob risco de impugnação. A lembrança de eleições recentes, marcadas por votos anulados em candidaturas sub judice, pesou na avaliação de dirigentes, que passaram a defender uma alternativa com maior segurança jurídica.
Com o enfraquecimento do nome de Castro, ganhou força dentro do PL a possibilidade de lançar Felipe Curi, ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro. O nome, que anteriormente era cogitado para disputar vaga na Câmara dos Deputados, passou a ser visto como uma opção competitiva para a corrida ao Senado, especialmente diante do vácuo aberto pela saída do ex-governador do cenário eleitoral.
Felipe Curi vinha sendo associado a uma eventual filiação ao PP, mas o avanço das articulações no PL e a influência de lideranças nacionais da direita recolocaram o ex-secretário no centro da disputa majoritária. Internamente, a leitura é de que sua vinculação à área de segurança pública e a projeção adquirida em operações de grande repercussão ampliaram seu reconhecimento eleitoral em diferentes segmentos do estado.
Ao mesmo tempo, outras alternativas dentro do próprio PL foram consideradas, como parlamentares com mandato e dirigentes partidários. Ainda assim, a tendência de preservação de candidaturas proporcionais e a dificuldade de reorganizar chapas às vésperas do calendário eleitoral reduziram a viabilidade desses nomes, abrindo espaço para uma candidatura de fora do Congresso.
Fora do campo do PL, a movimentação também redesenha alianças. O ex-governador Cláudio Castro (PL) passou a ser alvo de convites de outras siglas, como o Progressistas, o que pode reconfigurar o tabuleiro político no estado. No entanto, a eventual migração enfrenta obstáculos dentro das federações partidárias já estruturadas, que possuem acordos prévios sobre distribuição de vagas e composição de chapas.
A decisão do TSE, que declarou a inelegibilidade de Castro por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022, foi tomada por maioria e reforça o impacto das decisões judiciais sobre o processo eleitoral. O caso também amplia o ambiente de incerteza em torno das candidaturas no Rio, especialmente em um cenário em que a definição das chapas ainda está em curso.
Com isso, a disputa ao Senado no estado tende a se reorganizar nas próximas semanas, com o PL buscando consolidar um nome viável eleitoralmente e juridicamente, enquanto outras forças políticas ajustam suas estratégias diante da nova configuração.