
O pré-candidato à Presidência Romeu Zema (Novo-MG) voltou ao centro do debate político ao indicar que, caso eleito, pretende propor mudanças nas regras de aposentadoria no Brasil. A declaração ocorre poucos dias após a repercussão de sua fala sobre trabalho infantil, que gerou críticas e levou o próprio ex-governador a ajustar o tom do discurso.
Romeu Zema (Novo-MG) afirmou que a atual estrutura previdenciária já não acompanha a evolução demográfica do país e sugeriu a necessidade de uma nova reforma. Segundo ele, o aumento da expectativa de vida exige revisões nos critérios de acesso aos benefícios. O presidenciável defendeu a ampliação do tempo de contribuição e não descartou a possibilidade de elevação da idade mínima, a depender de estudos técnicos.
Ao comentar o tema, Zema indicou que mudanças graduais poderiam ser adotadas ao longo dos próximos anos, como forma de equilibrar as contas públicas sem gerar rupturas bruscas. A proposta inclui ainda a revisão de mecanismos de reajuste de benefícios, em um cenário em que o crescimento das despesas obrigatórias pressiona o orçamento federal.
As declarações surgem em um momento em que a sustentabilidade fiscal volta ao centro das discussões econômicas, especialmente diante do avanço do gasto público e da dificuldade do governo federal em cumprir metas fiscais. O debate sobre responsabilidade nas contas tem sido um dos principais pontos de divergência entre diferentes projetos políticos para o país.
No campo social, o pré-candidato também procurou amenizar a polêmica recente envolvendo suas declarações sobre trabalho infantil. Após afirmar que crianças poderiam trabalhar, Zema recuou e passou a defender a ampliação de oportunidades para adolescentes dentro das regras já previstas em lei, como o programa de aprendizagem a partir dos 14 anos.
Ele argumentou que a legislação atual é excessivamente burocrática e limita o acesso de jovens ao mercado de trabalho, especialmente em cidades menores. A defesa, agora reformulada, busca enfatizar a formação profissional e a conciliação entre estudo e atividade laboral, pontos já contemplados na legislação vigente.
O episódio evidencia os desafios enfrentados por pré-candidatos na construção de discurso em um cenário eleitoral cada vez mais sensível a temas sociais e econômicos. Ao mesmo tempo, reforça a centralidade do debate fiscal na disputa presidencial, em um país que convive com pressões estruturais sobre suas contas públicas.