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Após fugir para os EUA, Flávio Bolsonaro reaparece ao lado de Eduardo e Ramagem

Derrotado na eleição presidencial, senador chegou a Miami após descumprir ordem do STF para entregar os passaportes. Em carta, anunciou que pretende liderar a oposição brasileira do exterior.

Por Brasil no Centro Publicado em 29 de outubro de 2026 às 13:42 6 min de leitura
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Após fugir para os EUA, Flávio Bolsonaro reaparece ao lado de Eduardo e Ramagem

O senador Flávio Bolsonaro (PL) reapareceu publicamente nos Estados Unidos ao lado do irmão Eduardo Bolsonaro (PL) e do ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL), depois de deixar o Brasil em meio a uma ordem judicial que determinava a entrega de seus passaportes e o proibia de viajar ao exterior. Fotografias do encontro foram divulgadas nas redes sociais dos dois aliados na noite de quarta-feira (28), poucas horas após a chegada do ex-candidato à Presidência a Miami.

Flávio desembarcou nos Estados Unidos acompanhado da esposa e das duas filhas, três dias depois de ser derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais. A viagem ocorreu apesar de uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), expedida na segunda-feira (26), que impunha restrições à saída do senador do território nacional.

Segundo informações da Folha de S.Paulo, da Reuters e da Agência Brasil, a família deixou o Brasil pela fronteira com a Argentina, seguiu em uma aeronave particular com passagem pelo Equador e chegou a Miami na manhã de quarta-feira. A entrada no país foi confirmada por registros migratórios divulgados pela imprensa.

A presença do senador nos Estados Unidos ganhou repercussão após Eduardo Bolsonaro publicar uma fotografia ao lado do irmão. Na mensagem, o ex-deputado descreveu o reencontro como o encerramento de um período de tensão e afirmou que os dois continuarão envolvidos nas discussões políticas brasileiras mesmo vivendo fora do país.

Alexandre Ramagem também divulgou uma imagem com Flávio e afirmou que o senador poderá manter sua atuação política a partir do exterior. O ex-parlamentar classificou as medidas judiciais contra o aliado como perseguição, interpretação que não corresponde a uma conclusão judicial sobre os fundamentos da investigação.

Eduardo e Ramagem já estavam nos Estados Unidos quando Flávio chegou a Miami. Ambos são ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e tiveram atuação relevante no campo político bolsonarista nos últimos anos.

A saída de Flávio ocorreu em circunstâncias que passaram a ser examinadas pelas autoridades brasileiras.

Na segunda-feira, o senador havia divulgado um vídeo relatando que fora intimado pela Polícia Federal a entregar seus passaportes. Na ocasião, questionou a decisão de Alexandre de Moraes, afirmou que não pretendia deixar o Brasil e declarou que cumpriria a determinação judicial enquanto apresentava sua defesa.

No dia seguinte, entretanto, Flávio saiu do país com a família.

De acordo com a CNN Brasil, o parlamentar utilizou um passaporte diplomático brasileiro para entrar nos Estados Unidos, apesar de o documento ter sido cancelado pela Polícia Federal na terça-feira (27), em cumprimento à decisão do STF.

Os registros de entrada foram identificados nos sistemas de controle migratório norte-americanos.

A ordem de entrega dos passaportes foi determinada no contexto de investigações criminais em andamento no Supremo.

Flávio é investigado em um procedimento que apura suspeitas de lavagem de dinheiro e movimentações financeiras envolvendo empresas relacionadas ao advogado Willer Tomaz, com quem mantém relação de amizade.

Entre os elementos examinados pela Polícia Federal está a identificação do senador em registros de acesso a uma conta bancária vinculada à empresa Alcazar Holdings.

Os investigadores procuram esclarecer a natureza desse vínculo e verificar se houve participação do parlamentar em operações financeiras suspeitas.

Flávio e Willer negam a existência de negócios conjuntos e contestam qualquer envolvimento em irregularidades.

O senador também é investigado em outro procedimento relacionado ao financiamento do filme Dark Horse, produção sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro.

Nesse caso, as autoridades analisam tratativas envolvendo Flávio e o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, para identificar a origem e a destinação de recursos negociados para o projeto cinematográfico.

As investigações ainda não representam condenação criminal, e os envolvidos têm direito de apresentar suas defesas nos processos correspondentes.

Além das fotografias, Flávio divulgou uma carta em que anunciou a intenção de organizar a oposição ao governo Lula a partir dos Estados Unidos.

O documento circulou em diferentes versões nas redes sociais. Segundo a Folha de S.Paulo, foram identificadas pelo menos quatro redações, com mudanças no conteúdo e no uso do brasão da República.

Em uma das versões compartilhadas por aliados, o senador se apresentava como o verdadeiro vencedor da eleição presidencial. Posteriormente, a expressão foi retirada das publicações realizadas em seus próprios perfis, até ser substituída pela identificação de líder do Brasil.

A divulgação dessas versões ocorreu depois de Flávio anunciar que não reconheceria a vitória de Lula e que pretendia contestar judicialmente o resultado eleitoral.

O senador atribuiu suas objeções à decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, que autorizou a prorrogação do horário de votação em seções eleitorais que ainda permaneciam abertas às 17h de domingo.

A Justiça Eleitoral confirmou a vitória de Lula, e não há decisão judicial que tenha anulado o segundo turno. Flávio também não apresentou provas de fraude capazes de demonstrar alteração indevida do resultado.

A iniciativa de dirigir a oposição do exterior ocorre em um momento de reorganização do PL após a disputa presidencial.

Embora tenha perdido a eleição para o Palácio do Planalto, o partido conquistou a maior bancada da Câmara dos Deputados e ampliou sua representação no Senado, garantindo influência nas negociações legislativas do próximo mandato.

A direção nacional da legenda, comandada por Valdemar Costa Neto (PL), reconheceu oficialmente o resultado proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral depois de modificar uma nota divulgada na segunda-feira.

A posição institucional do partido contrasta com a postura de Flávio, que continua questionando a eleição e agora pretende exercer influência política a partir dos Estados Unidos.

O senador permanece formalmente no exercício do mandato parlamentar até fevereiro de 2027. Sua ausência do país, entretanto, ocorre enquanto existem procedimentos judiciais em andamento e uma determinação de restrição de viagem que, segundo as informações divulgadas, foi descumprida.

A chegada a Miami e o reencontro com Eduardo Bolsonaro e Alexandre Ramagem representam os primeiros registros públicos de Flávio nos Estados Unidos após a eleição presidencial.

Com a divulgação da carta, o senador sinaliza que pretende manter protagonismo político mesmo fora do território brasileiro, enquanto sua situação jurídica continua submetida às investigações e decisões do Supremo Tribunal Federal.