
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli afirmou a interlocutores que os valores recebidos por ele tiveram origem na venda de participação societária no resort Tayaya. Segundo relatos divulgados pela imprensa, os recursos teriam sido repassados pela empresa Maridt, que detinha 33% do empreendimento e vendeu sua fatia a um fundo ligado ao empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
De acordo com o ministro, ele é sócio da Maridt há vários anos, juntamente com familiares. A empresa é estruturada como sociedade anônima de capital fechado, modelo em que o nome dos acionistas não é de acesso público. Toffoli sustenta que as transferências foram realizadas ao longo de diferentes anos, de forma lícita, com valores declarados à Receita Federal e com origem e destino rastreáveis.
As informações vieram à tona após a Polícia Federal identificar, em mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, referências a pagamentos relacionados ao ministro. Investigadores apontam que há menções a repasses e tratativas envolvendo valores, inclusive com registros considerados cifrados, segundo relatos.
A linha de apuração da PF busca esclarecer se houve transferência de recursos ao ministro a partir de empresa vinculada ao fundo que participou do negócio envolvendo o resort.
Em nota, o gabinete de Toffoli afirmou que o pedido de suspeição apresentado pela Polícia Federal no caso relacionado ao Banco Master se baseia em “ilações” e não possui respaldo jurídico. A manifestação também sustenta que a PF não teria legitimidade para formular esse tipo de requerimento, com base no Código de Processo Civil.
A defesa de Daniel Vorcaro declarou preocupação com o que classificou como “vazamento seletivo” de informações e afirmou confiar no regular funcionamento das instituições e na apuração técnica dos fatos.