Após visitar Bolsonaro, Nikolas desiste de concorrer ao Governo de Minas

O encontro entre Nikolas Ferreira (PL-MG) e Jair Bolsonaro, nesta sexta-feira, mudou completamente o rumo das especulações eleitorais em Minas Gerais. Cotado como possível candidato ao Palácio Tiradentes, o deputado mineiro anunciou que não pretende disputar o governo do estado em 2026.
Segundo Nikolas, não houve qualquer pedido por parte de Bolsonaro para que ele entrasse na corrida estadual, ponto que sempre foi considerado decisivo antes de qualquer decisão. A ausência desse aval, somada ao cenário de instabilidade na direita, pesou totalmente no recuo.
O parlamentar afirmou que as indefinições envolvendo o futuro de Bolsonaro — que cumpre prisão domiciliar desde agosto e aguarda o desfecho de embargos no Supremo Tribunal Federal — paralisam qualquer articulação política mais profunda. Para ele, a direita ainda não sabe quem ocupará o espaço que seria naturalmente do ex-presidente na disputa presidencial de 2026.
“Quem será o presidente da República? A gente não sabe, então isso dificulta as articulações com outros partidos. O governo de Minas é complexo, e o estado precisa continuar sem o PT à frente. Mas o cenário está difícil por causa dessas indefinições”, disse o deputado.
A conversa com Bolsonaro também trouxe um elemento emocional que impactou a decisão de Nikolas. O parlamentar relatou preocupação com o estado de saúde do ex-presidente, cuja condição física estaria agravada pelas sequelas do atentado a faca em 2018.
Segundo ele, Bolsonaro enfrenta crises constantes de soluço, dorme pouco e tem demonstrado fragilidade extrema. Nikolas contou ainda que o ex-presidente dormiu no chão ao lado do filho Carlos devido ao desconforto causado pelos episódios.
“O presidente está numa situação difícil. Mentalmente forte, mas o corpo passa por problemas sérios. Se ele for para um presídio, eu acho que teria dificuldade de permanecer vivo”, afirmou. Ele classificou o momento como de grande desgaste emocional e humilhação para Bolsonaro, alegando que o tratamento recebido não encontra paralelo entre ex-presidentes.
Durante a visita, Nikolas levou doces mineiros e permaneceu por longo período ao lado de Flávio e Carlos Bolsonaro, discutindo possibilidades políticas todas, porém, sem caráter definitivo, já que o desfecho jurídico de Bolsonaro continua imprevisível.
No mesmo dia, a defesa do ex-presidente apresentou ao ministro Alexandre de Moraes novo pedido para mantê-lo em prisão domiciliar, alegando “risco à vida” caso seja transferido para regime fechado. Relatórios médicos foram anexados ao processo para reforçar a argumentação. O prazo dos embargos termina na segunda-feira e, a partir daí, Bolsonaro pode ser enviado a um presídio caso a Corte determine.
Enquanto aguarda o andamento do caso, Nikolas se inclina para concentrar esforços na própria reeleição à Câmara. O cenário eleitoral em Minas continua em suspenso, reflexo direto do abalo sísmico que atinge toda a estrutura da direita nacional.