Augusto Cury anuncia deputado Luiz Carlos Hauly como seu representante da parte economica da campanha

A campanha de Augusto Cury (Avante) definiu o deputado federal Luiz Carlos Hauly (Podemos-PR) como seu representante para as discussões econômicas a poucos dias do primeiro turno das eleições presidenciais. Economista e ex-secretário da Fazenda do Paraná, Hauly passa a ser a principal referência pública da candidatura para temas como reforma tributária, contas públicas, juros e crescimento.
A escolha ocorre depois de semanas de consultas feitas pela campanha a nomes do Congresso Nacional e do mercado financeiro. Segundo a equipe de Cury, economistas e ex-integrantes do Ministério da Fazenda também participaram da elaboração do plano de governo, ainda que a campanha tenha demorado a definir quem assumiria publicamente a interlocução sobre a economia
Hauly tem trajetória ligada justamente a uma das principais discussões econômicas do país nos últimos anos. Além de exercer mandato na Câmara dos Deputados, ele ocupou duas vezes o cargo de secretário da Fazenda do Paraná e integra atualmente a Comissão de Finanças e Tributação da Casa. O parlamentar também participou de manifestações públicas em defesa da implementação da reforma tributária.
A escolha, porém, coloca Hauly diante de uma particularidade da proposta econômica de Cury. O candidato afirma que pretende promover ajustes na reforma tributária para evitar, segundo sua campanha, possíveis distorções ou prejuízos relevantes para determinados setores da economia. O plano não especifica quais segmentos seriam afetados pelas mudanças.
Em debate econômico realizado nesta semana, Hauly já representou a candidatura de Cury e defendeu a continuidade da reforma tributária, além de medidas relacionadas à redução dos juros e ao controle das despesas públicas. O encontro reuniu representantes econômicos de diferentes candidaturas presidenciais.
A área econômica também ocupa espaço importante no programa de governo de Cury. Entre as propostas apresentadas estão medidas para conter o crescimento da dívida pública e alterações no mercado de trabalho diante dos impactos previstos da inteligência artificial. A campanha também defende mudanças na estrutura de gastos públicos como parte de sua estratégia econômica.
O candidato a vice-presidente, Júlio Delgado (Avante-MG), afirmou que a demora na definição do representante econômico esteve relacionada, entre outros fatores, ao desempenho inicial de Cury nas pesquisas e à dificuldade de atrair profissionais do setor privado dispostos a deixar temporariamente suas atividades para integrar uma campanha presidencial.
A campanha chegou a consultar nomes ligados ao mercado financeiro durante o processo de escolha. Segundo relatos apresentados pela equipe, o banqueiro André Esteves também teria sido procurado para indicar um profissional para a área econômica. A assessoria de Esteves não se manifestou sobre a consulta.
Com a escolha de Hauly, Cury passa a ter um interlocutor definido para apresentar e defender suas propostas econômicas na reta final da campanha. A definição ocorre em um momento em que o debate sobre responsabilidade fiscal, reforma tributária, juros e crescimento ganhou espaço entre as candidaturas à Presidência.