Campanha de Lula mira custo de vida e promete ampliar limite do MEI em programa eleitoral

A campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou a adotar uma estratégia mais voltada ao futuro da economia em seus programas eleitorais, combinando críticas ao governo anterior de Jair Bolsonaro (PL) com novas promessas direcionadas a segmentos como microempreendedores individuais e trabalhadores sem vínculo formal.
Na propaganda exibida nesta quinta-feira (17), a equipe do petista atribui ao governo Bolsonaro parte da responsabilidade pela alta nos preços dos alimentos e tenta responder a um dos principais argumentos da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), que vem explorando o tema do custo de vida em seus discursos eleitorais.
O programa apresenta declarações de Lula relacionando a inflação dos alimentos às decisões tomadas pela gestão anterior, citando medidas envolvendo combustíveis, impostos e políticas econômicas. A peça também utiliza imagens associadas ao período de aumento da insegurança alimentar, como pratos vazios e referências à chamada “fila do osso”, expressão que ganhou destaque durante a eleição presidencial de 2022.
“Tem gente prometendo baixar o preço das coisas. Mas, quando eles tiveram a caneta na mão, o arroz e o feijão chegaram às alturas”, afirma Lula no material divulgado pela campanha.
A propaganda também apresenta depoimentos de eleitores afirmando que enfrentaram dificuldades durante o governo anterior e reforça a mensagem de que a atual administração estaria trabalhando para recuperar o poder de compra da população.
A mudança de tom ocorre em um momento de maior competitividade nas pesquisas eleitorais. Levantamentos recentes passaram a mostrar um cenário mais disputado entre Lula e Flávio Bolsonaro nas simulações de segundo turno, aumentando o foco das campanhas em temas econômicos.
Além das críticas ao adversário, o programa eleitoral transforma em promessa de campanha uma proposta já enviada pelo governo ao Congresso Nacional para ampliar o limite de faturamento anual dos Microempreendedores Individuais (MEIs).
O projeto prevê elevar gradualmente o teto de receita bruta anual do MEI dos atuais cerca de R$ 80 mil para até R$ 140 mil. Segundo a equipe econômica, a mudança teria impacto estimado de R$ 8,1 bilhões até 2029.
A iniciativa faz parte de uma tentativa da campanha petista de ampliar o diálogo com trabalhadores autônomos, pequenos empresários, motoristas e entregadores de aplicativos, grupos que passaram a ter maior relevância no mercado de trabalho brasileiro nos últimos anos.
O programa também destaca medidas como a isenção de impostos sobre produtos da cesta básica e a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para trabalhadores que recebem até R$ 5 mil mensais. Lula afirma na peça que a economia gerada pela mudança representa uma espécie de “14º salário” para esse grupo.
“Nossa causa é o Brasil, você e sua família”, declara o presidente durante o vídeo.
A propaganda também faz críticas diretas a Flávio Bolsonaro, associando o senador a investigações em andamento. A campanha exibe uma declaração do candidato afirmando não ser alvo de apurações e, na sequência, apresenta reportagens sobre investigações envolvendo o senador, além de críticas feitas por eleitores no material eleitoral.
A equipe de Lula encerra o programa questionando a capacidade do adversário de conduzir políticas para reduzir o custo de vida, enquanto tenta reforçar a imagem do atual governo como responsável por medidas voltadas à renda e ao consumo.