
Nos últimos meses, o cenário político cearense se tornou cada vez mais volátil. Após a filiação de Ciro Gomes ao PSDB, lançado como a principal aposta da oposição contra a reeleição do governador Elmano de Freitas (PT), e o anúncio de que o senador Cid Gomes (PSB) não disputará a reeleição, o grande ponto de interrogação agora envolve o movimento de aproximação do União Brasil com o governo petista.
O partido, atualmente sob a liderança de Capitão Wagner, que teve papel central na oposição em 2022, é agora uma das maiores incógnitas do processo eleitoral. A união com o Progressistas, do deputado federal AJ Albuquerque – aliado próximo de Elmano e filho do secretário estadual Zezinho Albuquerque – parece fortalecer a relação com o PT.
Com o partido sendo pressionado por esse alinhamento, Capitão Wagner, que atualmente lidera as pesquisas para o Senado, vê sua posição dentro da legenda ameaçada. Fontes revelam que os deputados mais votados do União Brasil, Fernanda Pessoa e Moses Rodrigues, ambos alinhados com o governo de Elmano, já declaram apoio à recondução do petista ao Palácio da Abolição. Rumores também indicam que Fernanda Pessoa está prestes a assumir a presidência estadual do União Brasil, com o aval do presidente nacional, Antônio Rueda, o que consolidaria ainda mais a aproximação com o PT.
Essa mudança de rumos pode resultar em um grande revés para Wagner, que se vê pressionado a reconsiderar seus planos políticos. Caso o União Brasil oficialize sua aliança com o PT, Wagner teria poucas opções dentro de seu atual partido. O PL, liderado pelo deputado federal André Fernandes, surge como uma possibilidade, mas a prioridade da legenda é a candidatura do deputado estadual Professor Alcides ao Senado, o que colocaria a candidatura de Wagner em risco. Outra alternativa seria concorrer a deputado federal, no lugar de sua esposa, Dayany Bittencourt.
Outra opção que começa a ganhar força é uma possível migração de Wagner para o PSDB, atualmente em ascensão no estado com a pré-candidatura de Ciro Gomes ao governo. O PSDB também se mostra uma escolha atraente para Roberto Cláudio, ex-prefeito de Fortaleza e atual presidente do União Brasil na capital cearense, que deve se filiar à legenda. A fusão de Wagner, Roberto Cláudio e José Sarto, em uma chapa forte para o Senado e para a Câmara Federal, poderia resultar em uma candidatura robusta contra o PT, ao lado de Ciro Gomes.
O movimento de Wagner, portanto, está longe de ser definido, e sua próxima filiação será fundamental para o cenário político do Ceará, especialmente no confronto com o PT e suas alianças no estado.