
A investigação conduzida pela Polícia Federal sobre o colapso do Banco Master identificou indícios de um esquema de transferência irregular de recursos que teria beneficiado diretamente familiares do ex-controlador da instituição, Daniel Vorcaro. Segundo documentos reunidos pelos investigadores, parte do dinheiro captado pelo banco foi direcionada para empresas e contas ligadas ao pai, à irmã e a um primo do empresário.
As informações constam em relatórios apresentados à Justiça e utilizados para fundamentar operações recentes da Polícia Federal no âmbito das investigações que apuram suspeitas de gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro envolvendo o conglomerado financeiro.
De acordo com a apuração policial, uma das contas analisadas pertence a Henrique Moura Vorcaro, pai do ex-banqueiro. Os investigadores identificaram movimentações que indicariam a existência de valores bilionários vinculados à estrutura financeira utilizada pelo grupo. A defesa de Henrique Vorcaro afirma que as informações divulgadas sobre a conta são incorretas e solicitou acesso aos documentos utilizados na investigação para verificar possíveis inconsistências.
Além do pai, a investigação também aponta transferências para a irmã de Vorcaro, Natalia Vorcaro, e para um primo do empresário, Felipe Vorcaro. Os relatórios da Polícia Federal indicam que os recursos teriam passado por uma complexa cadeia de operações financeiras envolvendo fundos de investimento, empresas e intermediários.
Segundo a investigação, o mecanismo utilizado teria começado com a captação de recursos por meio da venda de Certificados de Depósito Bancário com taxas de retorno acima da média do mercado. Esses títulos atraíram bilhões de reais em aplicações de investidores pessoas físicas.
Os recursos captados eram então direcionados a fundos de crédito que tinham como principal investidor o próprio Banco Master. A partir desses fundos, o dinheiro era utilizado para realizar operações classificadas pelos investigadores como empréstimos para empresas ligadas ao próprio grupo econômico.
Em muitos casos, as empresas que recebiam os recursos eram controladas por pessoas próximas ao círculo do ex-banqueiro ou por intermediários apontados como laranjas. Para a Polícia Federal, esse modelo indicaria operações simuladas de crédito que teriam como objetivo retirar recursos da instituição financeira e direcioná-los para interesses particulares.
Os relatórios também apontam que parte desses fundos utilizava os recursos para adquirir novamente títulos emitidos pelo próprio Banco Master, criando um ciclo financeiro que, segundo os investigadores, ajudava a sustentar artificialmente a estrutura do banco enquanto permitia a transferência gradual de valores para empresas ligadas aos investigados.
Entre os exemplos citados na investigação está o caso de uma clínica médica que recebeu centenas de milhões de reais por meio de um fundo controlado pelo banco. Segundo os investigadores, a empresa estava formalmente registrada em nome de terceiros, mas mantinha vínculos com pessoas ligadas ao grupo de Vorcaro.
Os investigadores também identificaram indícios de manipulação no valor de ativos financeiros utilizados pelo banco. Segundo os relatórios, fundos vinculados ao conglomerado teriam adquirido papéis de baixo valor e posteriormente registrado essas operações com valores inflados, aumentando artificialmente o patrimônio da instituição.
A defesa de pessoas citadas na investigação afirma que não houve qualquer desvio de recursos e sustenta que as operações realizadas foram legítimas e devidamente registradas nos órgãos reguladores do mercado financeiro.
Banco Central do Brasil decretou a liquidação do Banco Master em novembro de 2025 após identificar problemas financeiros na instituição. Desde então, o caso passou a ser investigado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal.
As apurações continuam e novas diligências ainda estão em andamento para rastrear o destino final dos recursos movimentados no esquema investigado.