Caso Vorcaro: Filho de Kassio é citado como beneficiário de R$ 500 mil

Novas mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, colocam o nome do advogado Kevin Marques, filho do ministro Kassio Nunes Marques (STF), no centro de mais um episódio envolvendo pessoas próximas a integrantes do Supremo Tribunal Federal.
Os diálogos foram entregues aos ministros da Corte na segunda-feira (14) e mostram conversas entre Vorcaro e Luiz Rennó, que ocupava o cargo de diretor jurídico do Banco Master. Nas mensagens, Rennó menciona pagamentos de R$ 500 mil mensais relacionados à empresa Consult Inteligência Tributária e associa os repasses ao nome de Kevin Marques.
A documentação passou a ser analisada no contexto da sessão do STF marcada para esta terça-feira (15), que discute os desdobramentos das mensagens encontradas no aparelho de Vorcaro e a possibilidade de abertura de uma investigação sobre a relação entre o ex-banqueiro e o ministro Alexandre de Moraes.
Segundo os registros divulgados, uma das primeiras referências ao filho de Kassio Nunes Marques aparece em outubro de 2024. Na ocasião, Rennó informou a Vorcaro sobre uma decisão do Supremo favorável à destilaria Alcídia, de Teodoro Sampaio, em uma disputa relacionada a indenizações do setor sucroalcooleiro.
O tema tinha relevância financeira para Vorcaro porque o Banco Master mantinha em sua carteira precatórios relacionados ao setor, estimados em cerca de R$ 10 bilhões.
Naquele julgamento, os ministros Edson Fachin, Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques votaram a favor da tese apresentada pela destilaria. Gilmar Mendes e André Mendonça ficaram vencidos.
Kassio Nunes Marques havia inicialmente se declarado impedido de participar do julgamento, mas posteriormente revisou sua posição e votou. De acordo com a assessoria do ministro, a mudança ocorreu porque ele concluiu que tecnicamente não havia impedimento.
Após mencionar o resultado do julgamento, Rennó encaminhou a Vorcaro uma imagem com contatos de Kevin Marques e escreveu a expressão “Dominado aqui”.
Meses depois, em julho de 2025, o assunto voltou a aparecer nas conversas. Rennó encaminhou novamente os contatos e escreveu: “Esse aqui, 500 mil mês, mantém? Kkkkkkkk. Então esse aqui já era, né?”. Vorcaro respondeu com risadas.
Em agosto do mesmo ano, Rennó voltou a mencionar a Consult ao falar sobre pagamentos considerados essenciais. Na mensagem, afirmou que faltava apenas aquele repasse e encaminhou novamente os contatos associados a Kevin Marques.
A assessoria do advogado nega, porém, que ele tenha recebido qualquer pagamento de Vorcaro ou prestado serviços ao Banco Master. Em nota, informou que Kevin Marques recebeu R$ 281,6 mil da Consult Inteligência Tributária, empresa para a qual teria prestado serviços jurídicos especializados na área tributária administrativa.
A defesa também afirma que a atividade profissional realizada para a Consult não teve qualquer relação com o Supremo Tribunal Federal.
O ministro Kassio Nunes Marques também foi procurado sobre o conteúdo das mensagens. Segundo sua assessoria, o filho jamais recebeu dinheiro diretamente de Daniel Vorcaro.
Ministro explica voto citado nas mensagens
Em relação ao julgamento envolvendo a destilaria Alcídia, a assessoria de Kassio Nunes Marques afirmou que a situação processual do ministro tinha origem em sua atuação anterior como vice-presidente do Tribunal Regional Federal da 1ª Região.
Segundo a manifestação, o ministro havia registrado inicialmente um impedimento porque havia participado da análise do caso no TRF-1. Posteriormente, concluiu que a questão discutida no Supremo era uma tese de caráter amplo e solicitou a correção do registro.
A assessoria também ressaltou que a decisão não tratava especificamente de interesses do Banco Master, mas de uma tese aplicável a diferentes empresas do setor.
O ministro afirma ainda que votou diversas vezes no mesmo sentido quando atuava no TRF-1 e que não houve voto destinado a beneficiar especificamente o Banco Master.
A defesa de Kevin Marques reforça que ele não recebeu valores de Vorcaro. O advogado, segundo a nota, recebeu pagamentos da Consult em razão de serviços jurídicos prestados à empresa.
As mensagens, portanto, passaram a integrar o conjunto de elementos que estão sendo examinados pelo Supremo no contexto do caso Master. A existência dos diálogos, por si só, não comprova irregularidade ou vínculo ilícito, e as versões apresentadas pelos citados ainda são objeto de análise pelas autoridades.