Após operação da PF, Castro deve desistir de candidatura ao Senado

A mais recente operação da Polícia Federal contra o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, aprofundou a crise política dentro do PL e colocou em xeque a permanência de seu nome na disputa ao Senado em 2026. Nos bastidores, aliados do senador Flávio Bolsonaro já admitem que a situação se tornou politicamente delicada e discutem alternativas para evitar um desgaste ainda maior no principal colégio eleitoral da direita no Sudeste.
A ofensiva da PF, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, investiga suspeitas envolvendo o setor de combustíveis e empresários ligados ao grupo Refit. A apuração inclui indícios de ocultação patrimonial, lavagem de dinheiro e movimentações financeiras consideradas suspeitas por investigadores federais. Entre os alvos estão empresários, agentes públicos e ex-integrantes do governo fluminense.
Dentro do PL, a avaliação reservada é de que o cenário ficou praticamente inviável para Cláudio Castro sustentar uma candidatura competitiva ao Senado. A preocupação aumentou após a sequência de desgastes acumulados desde a decisão do Tribunal Superior Eleitoral que declarou o ex-governador inelegível por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022.
Embora a cúpula partidária mantenha discurso público de apoio, dirigentes ligados ao núcleo bolsonarista já trabalham com a possibilidade de substituição na chapa. O temor é que o partido entre em uma campanha carregando um nome cercado por incertezas judiciais e novos desdobramentos policiais.
Questionado sobre a operação, o senador Flávio Bolsonaro afirmou inicialmente que ainda buscava compreender os detalhes da investigação. Nos bastidores, porém, o clima é de cautela e apreensão. A prioridade do grupo político passou a ser preservar a competitividade da direita fluminense diante de um cenário nacional cada vez mais fragmentado.
O nome mais citado internamente como possível substituto é o do deputado federal Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara e figura de forte influência junto ao eleitorado evangélico. Apesar disso, ele nega qualquer movimentação para assumir a vaga e insiste publicamente na manutenção da candidatura de Castro.
Outros nomes também circulam entre lideranças partidárias, como os deputados Carlos Jordy e Altineu Côrtes, além do delegado Felipe Curi e até Rogéria Bolsonaro, mãe do senador Flávio Bolsonaro.
O avanço das investigações reforçou dentro do partido a percepção de que candidaturas precisam estar blindadas juridicamente para evitar turbulências em pleno calendário eleitoral. Em setores do centro democrático, a avaliação é de que o eleitorado tende a rejeitar disputas marcadas por instabilidade judicial e crises sucessivas, especialmente em um momento em que o país busca equilíbrio institucional e previsibilidade política.
A defesa de Cláudio Castro informou que recebeu a operação com surpresa e declarou que o ex-governador permanece à disposição da Justiça. Os advogados afirmam ainda confiar na legalidade de todos os atos praticados durante sua gestão no Palácio Guanabara.
Enquanto isso, o PL acelera conversas reservadas para reorganizar sua estratégia eleitoral no Rio de Janeiro, estado considerado peça-chave para os planos nacionais da direita em 2026.