Ciro resgata legado da indústria calçadista e promete recolocar empregos no centro da economia do Ceará

A indústria calçadista voltou ao centro da campanha de Ciro Gomes (PSDB) ao Governo do Ceará. Em uma publicação nas redes sociais neste domingo (20), o candidato recuperou a trajetória do Estado no setor e afirmou que pretende usar a política industrial como instrumento para ampliar a geração de empregos e renda em diferentes regiões cearenses.
A campanha apresentou a proposta sob o slogan de que o Ceará precisa “retomar os empregos perdidos” e destacou a expansão da indústria de calçados ocorrida durante os governos anteriores de Ciro. O material também aponta para uma estratégia mais ampla, que envolve atração de empresas, investimentos no interior, formação profissional, apoio ao empreendedorismo e melhoria da infraestrutura.
O setor escolhido como símbolo dessa retomada tem peso relevante na economia cearense. Dados da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados mostram que o Ceará foi responsável por 206,8 milhões de pares produzidos em 2025, equivalentes a 24,4% de toda a produção brasileira. Sobral concentrou 59,8% da produção estadual, seguido por Fortaleza, Quixadá e Juazeiro do Norte.
O Estado também encerrou 2025 como líder nacional em volume de exportações de calçados, com 32,6 milhões de pares embarcados, segundo a Abicalçados. Em valor, foram US$ 189,43 milhões.
Os números mais recentes, entretanto, mostram um cenário menos favorável para o setor. Até agosto de 2026, as exportações brasileiras de calçados acumulavam queda de 7,5% em volume e de 16,8% em receita. No mesmo período, os dados da Abicalçados apontavam redução de 5,5% na produção.
É nesse ambiente que Ciro coloca a indústria como uma das principais frentes de sua campanha. Em uma agenda anterior, realizada em Maracanaú, o candidato afirmou que o Ceará perdeu 106 indústrias de calçados nos últimos dez anos e relacionou o cenário a juros elevados, questões tributárias e dificuldades de competição no mercado internacional. A proposta apresentada por ele é a criação de um novo fundo de desenvolvimento industrial para recuperar a capacidade de atração e retenção de empresas no Estado.
A ideia reapareceu nas últimas semanas em diferentes agendas. Ciro tem defendido que os incentivos sejam utilizados para desconcentrar a atividade econômica da Região Metropolitana de Fortaleza e do Complexo Industrial e Portuário do Pecém, levando investimentos para municípios do interior. Segundo o candidato, o novo fundo seria estruturado a partir das características econômicas de cada região.
No material publicado neste domingo, essa proposta aparece associada a uma política mais ampla de desenvolvimento. A campanha fala em investimentos em estradas, logística, energia, abastecimento de água e conectividade como condições para que empresas possam se instalar fora da capital.
Outro eixo apresentado é a qualificação profissional. A proposta prevê aproximar educação, formação técnica e mercado de trabalho, com programas direcionados especialmente a jovens e mulheres. O objetivo declarado é fazer com que a expansão da atividade industrial seja acompanhada pela formação de trabalhadores para as novas vagas.
O plano também inclui medidas voltadas a pequenos negócios e startups. A campanha defende estímulos a empresas cearenses, criação de polos tecnológicos e mecanismos de apoio ao empreendedorismo como parte de uma estratégia para diversificar a economia estadual.
A infraestrutura aparece como uma peça complementar. A proposta apresentada por Ciro associa investimentos em rodovias, logística, energia, água e conectividade à capacidade de municípios do interior receberem novas empresas. A campanha sustenta que a descentralização poderia ampliar as oportunidades econômicas para além da capital.
A discussão ocorre em um momento de pressão sobre a indústria calçadista brasileira. A produção nacional caiu 1,9% em 2025, para 847,5 milhões de pares, segundo levantamento da Abicalçados. A entidade também registrou aumento de 20,6% nas importações no ano passado, enquanto as exportações foram afetadas pela desaceleração de mercados importantes e pelo cenário internacional.
Para 2026, a Abicalçados projeta um cenário ainda marcado por incertezas, com possibilidade de queda de 1,2% ou crescimento de até 1,4% na produção nacional. Para as exportações, a entidade trabalha com projeções de retração tanto em receita quanto em volume. Abicalçados
No Ceará, portanto, a indústria de calçados permanece como uma atividade de grande relevância, ao mesmo tempo em que enfrenta um ambiente mais competitivo. É nesse contexto que Ciro tenta recolocar a política industrial e a geração de empregos no centro da discussão sobre o futuro econômico do Estado.
A estratégia apresentada pelo candidato combina a retomada de políticas de atração de empresas com a interiorização dos investimentos, formação profissional e estímulo ao empreendedorismo. A indústria calçadista, responsável por transformar municípios como Sobral em importantes polos produtivos, aparece como uma das principais referências utilizadas pela campanha para apresentar essa proposta.