
A definição do PSD para a disputa presidencial de 2026 foi consolidada após a desistência do governador do Paraná, Ratinho Junior, que abriu caminho para o lançamento do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, como candidato da sigla ao Palácio do Planalto.
A decisão será oficializada em evento do partido em São Paulo, sob a condução do presidente nacional, Gilberto Kassab. Caiado, recém-filiado à legenda, passa a representar o projeto do partido em um cenário eleitoral ainda marcado pela polarização entre os principais polos políticos do país.
A saída de Ratinho da disputa ocorreu após uma combinação de fatores. Nos bastidores, pesaram tanto questões familiares quanto o ambiente político no Paraná, onde o governador enfrenta o desafio de construir um sucessor em meio ao avanço do senador Sergio Moro, que recentemente se filiou ao PL e aparece competitivo nas pesquisas estaduais.
Com a desistência, a disputa interna do PSD passou a se concentrar entre Caiado e o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. Leite havia se filiado ao partido em 2025 após deixar o PSDB, movimento visto como uma tentativa de viabilizar uma candidatura presidencial caso Ratinho não confirmasse seu projeto nacional.
Mesmo com essa movimentação, a direção nacional da legenda optou por outro caminho. Após ser preterido, Leite criticou publicamente a decisão. Em vídeo divulgado nas redes sociais, afirmou que a escolha “tende a manter esse ambiente de polarização radicalizada que tanto limita o nosso país”. O governador também declarou acreditar em “um centro liberal, democrático de verdade, com compromisso com a conciliação, com o diálogo, a construção de soluções reais”.
Apesar da divergência, Leite evitou confronto direto e indicou que seguirá no debate público. “Política é dinâmica, jornadas como essa não encerram com uma decisão partidária”, afirmou.
Já Ratinho adotou postura distinta e elogiou a escolha. Segundo ele, a definição por Caiado representa a aposta em “um homem aprovado como gestor, com trabalho reconhecido nacionalmente”.
A escolha de Caiado ocorre no momento em que o PSD tenta se apresentar como alternativa nacional fora dos extremos. Mas o perfil do governador de Goiás aponta em outra direção. Com discurso centrado em segurança pública e defesa do agronegócio, Caiado dialoga com um eleitorado que já se encontra majoritariamente alinhado à candidatura do senador Flávio Bolsonaro.
Na prática, a entrada de Caiado na disputa enfraquece o esforço do partido de ocupar um espaço de terceira via e aproxima o PSD do mesmo campo político que diz querer disputar. A candidatura tende a reproduzir pautas já consolidadas no bolsonarismo, como anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro, endurecimento penal e oposição frontal ao PT.
Em vez de ampliar o debate, o movimento reposiciona o PSD como linha de apoio de Flávio Bolsonaro, reduzindo as chances de construir uma alternativa competitiva para o eleitorado que busca um caminho fora da polarização.