Conexões de Vorcaro com caciques petistas aproximam perigosamente caso Master do Governo Lula

Encontros fora da agenda, contratos públicos e atuação de ex-ministros ampliam pressão política sobre o Planalto

Conexões de Vorcaro com caciques petistas aproximam perigosamente caso Master do Governo Lula

A investigação sobre o Banco Master ganhou novos contornos e passou a produzir efeitos diretos no campo político. As relações do empresário Daniel Vorcaro com figuras centrais do governo federal, contratos firmados com empresas das quais ele é acionista e a participação de ex-ministros petistas em negociações ligadas ao grupo colocaram o Executivo no centro das atenções em meio ao avanço das apurações.

O caso deixou de ser tratado apenas como um escândalo financeiro após a divulgação de encontros de Vorcaro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fora da agenda oficial, além da atuação de nomes historicamente ligados ao PT, como Guido Mantega, Ricardo Lewandowski e o senador Jaques Wagner, em contextos relacionados ao empresário. Embora não haja acusações formais contra essas autoridades, as conexões reveladas ampliaram a pressão política sobre o governo.

As investigações apontam para um rombo estimado em até R$ 50 bilhões envolvendo operações irregulares, venda de créditos considerados inexistentes ao Banco de Brasília (BRB) e possível uso indevido do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A apuração resultou na deflagração da Operação Compliance Zero, que levou à prisão de Vorcaro, posteriormente substituída por medidas cautelares e prisão domiciliar.

Com a menção a autoridades com foro privilegiado, parte do inquérito foi remetida ao Supremo Tribunal Federal. A condução do caso também passou a ser questionada após a revelação de contratos firmados por pessoas próximas a ministros da Corte e da tramitação do processo sob sigilo.

Revelações divulgadas pela imprensa indicam que, em dezembro de 2024, Lula recebeu Vorcaro em uma reunião no Palácio do Planalto que não constava da agenda oficial. O encontro contou com a presença de Guido Mantega, do empresário Augusto Lima e de Gabriel Galípolo, então indicado para a presidência do Banco Central. O teor da conversa não foi divulgado, e o banqueiro teria realizado outras visitas ao Planalto posteriormente.

Além disso, Lula participou, em abril de 2024, da inauguração da fábrica da Biomm, em Nova Lima (MG), empresa de biotecnologia da qual Vorcaro é acionista. A Biomm mantém contratos com o governo federal para fornecimento de insulina ao SUS, que somam mais de R$ 300 milhões. O Ministério da Saúde afirma que os contratos seguiram rigorosamente a legislação e que a parceria teve início antes da entrada de fundos ligados a Vorcaro na empresa.

Nos bastidores do Congresso, parlamentares da oposição articulam pedidos de instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar o caso. Aliados do governo, por sua vez, defendem que as investigações seguem critérios técnicos e que não há interferência política no andamento do processo.