Corrupção no INSS ampliou fila e dificultou acesso, afirma Polícia Federal

A Polícia Federal concluiu que o esquema de fraudes envolvendo descontos associativos indevidos no Instituto Nacional do Seguro Social teve impacto direto e negativo sobre a fila de atendimento da Previdência. Segundo o relatório, a prática irregular consumiu uma parcela relevante da capacidade operacional do órgão, ampliando o tempo de espera de segurados e dificultando o acesso a direitos básicos.
De acordo com a Polícia Federal, a fila voltou a crescer ao longo de 2024 no mesmo período em que as fraudes se intensificaram. O documento aponta que milhares de pedidos que chegaram ao sistema não se referiam a novos benefícios, mas a solicitações para excluir ou bloquear mensalidades associativas lançadas sem consentimento dos aposentados e pensionistas.
Entre janeiro de 2023 e maio de 2024, o INSS recebeu quase 1,9 milhão de requerimentos ligados exclusivamente a esse tipo de problema. Esses pedidos representaram cerca de 16,6% de toda a demanda processada por um dos principais setores de manutenção do órgão, desviando recursos humanos e tempo que poderiam estar sendo utilizados para conceder benefícios legítimos.
A auditoria da PF estimou que apenas um dos serviços relacionados à exclusão de mensalidades indevidas consumiu o equivalente a mais de 49 mil dias de trabalho de servidores no período analisado. Em quase 91% dos casos, os próprios beneficiários afirmaram que não autorizaram os descontos, o que reforça a conclusão de que a maioria dessas demandas poderia ter sido evitada caso as regras tivessem sido cumpridas.
O relatório destaca que a sobrecarga causada por essas fraudes produziu um efeito em cadeia, atrasando análises, ampliando a fila geral do INSS e obrigando o governo a adotar medidas emergenciais, como a retomada do pagamento de bônus para peritos, na tentativa de reduzir o tempo de espera.
Para os investigadores, o problema vai além do prejuízo financeiro. Trata-se de um dano direto à eficiência do serviço público e ao direito dos segurados, que acabaram penalizados duas vezes: primeiro pelo desconto irregular e depois pela demora no atendimento. A PF conclui que o combate às fraudes é condição indispensável para normalizar o funcionamento da Previdência e reduzir a fila que afeta milhões de brasileiros.