Ex-secretária de Careca do INSS relata à CPMI negociação de imóvel com ex-marqueteira do PT

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que apura fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social ouviu nesta segunda-feira a ex-secretária de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. Durante o depoimento, Aline Cabral afirmou ter tomado conhecimento de uma negociação imobiliária envolvendo o empresário e a publicitária Danielle Miranda Fonteles, que atuou como marqueteira do Partido dos Trabalhadores.
Segundo a testemunha, Antunes teria negociado a aquisição de um imóvel em Trancoso, no litoral sul da Bahia. Ela declarou à CPMI que soube da compra posteriormente e que, no início de 2025, esteve na propriedade para treinar a governanta responsável pelo local. Aline relatou não ter informações precisas sobre a conclusão formal do negócio nem sobre os valores envolvidos.
Antônio Carlos Camilo Antunes está preso desde setembro de 2025 e é apontado como um dos principais alvos das investigações que apuram irregularidades na concessão de benefícios previdenciários. A comissão tem analisado relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras que indicam a transferência de R$ 5 milhões do empresário para a publicitária. A operação teria ocorrido no fim de 2024.
Durante a sessão, o relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), questionou a ex-secretária sobre o alcance de seu conhecimento a respeito da transação. Ela respondeu que tinha ciência da negociação, mas não participou dos trâmites financeiros e não poderia confirmar detalhes contratuais.
Aline Cabral afirmou ainda que exercia funções administrativas e pessoais para Antunes, incluindo a emissão de passagens aéreas e a organização de compromissos familiares. O depoimento integra a fase de oitivas destinadas a esclarecer conexões financeiras e patrimoniais relacionadas ao núcleo investigado.
A CPMI do INSS foi instalada para apurar possíveis fraudes e irregularidades no sistema previdenciário e tem concentrado esforços na análise de movimentações financeiras consideradas atípicas. A comissão segue com calendário de depoimentos e coleta de documentos nas próximas semanas.