Debate em Minas termina em bate-boca após Áurea citar BO contra Marcelo Aro

O debate entre os candidatos ao Senado por Minas Gerais realizado pelo g1 nesta terça-feira (8) foi marcado por um confronto direto entre Áurea Carolina (PSOL) e Marcelo Aro (PP). A discussão ocorreu quando a candidata mencionou um boletim de ocorrência registrado em 2007 por uma ex-namorada de Aro, no qual foram relatadas supostas agressões.
Durante sua participação, Áurea afirmou que o episódio deveria ser considerado na discussão sobre violência contra as mulheres e questionou o adversário sobre o caso. Segundo ela, o registro policial relatava agressões físicas ocorridas após o fim de um relacionamento.
“Eu quero dizer também que, nesse tema de enfrentamento à violência contra as mulheres, é importante puxar a ficha, o histórico daqueles que vêm aqui falar grosso sobre o tema da segurança pública, mas que têm lá, há quase 20 anos, denúncia, por exemplo, de ex-namorada, de agressão doméstica”, afirmou.
Na sequência, Áurea mencionou relatos de socos e pontapés que constariam no boletim de ocorrência e perguntou ao candidato qual seria sua resposta diante da acusação.
Aro reagiu de forma contundente. O candidato chamou Áurea de “mentirosa” e classificou como “nojenta” a forma como, segundo ele, a adversária estaria conduzindo o debate. Aro também afirmou que nunca foi condenado por agressão contra uma mulher e que não responde a processos judiciais.
“Você faz política com mentira. A sua política é nojenta, você é mentirosa. Eu não fui denunciado por nenhuma mulher e nunca fui condenado por absolutamente nada. Aliás, eu não respondo a nenhum processo judicial. Então, seja verdadeira”, declarou.
O candidato afirmou ainda que abandonaria a política caso Áurea apresentasse uma condenação judicial contra ele por agressão a uma mulher.
“Se você mostrar uma condenação minha por agressão de mulher, eu renuncio à política, eu largo a política”, disse Aro.
O assunto voltou a ser abordado pela candidata nas considerações finais. Áurea afirmou que o boletim de ocorrência existe e que o fato de o caso não ter resultado em condenação não eliminaria a relevância do episódio para o debate eleitoral.
“Talvez isso não tenha sido concluído como um processo e ele não tenha sido condenado, mas a ficha está suja, infelizmente”, afirmou.
Aro voltou a contestar a interpretação dada pela adversária ao documento. O candidato argumentou que um boletim de ocorrência registra uma declaração apresentada à autoridade policial e, isoladamente, não comprova que os fatos relatados tenham efetivamente ocorrido.
“Boletim de ocorrência é o que você fala na delegacia. Depois tem investigação. No meu caso, não teve absolutamente nada e a pessoa que foi lá e denunciou depois se retratou”, afirmou.
Segundo reportagem da Repórter Brasil publicada em março deste ano, uma ex-namorada de Aro registrou um boletim de ocorrência em Belo Horizonte em outubro de 2007. De acordo com o documento, obtido pelo veículo, a jovem, então com 17 anos, relatou à Polícia Civil de Minas Gerais ter sofrido supostas agressões físicas após o término do relacionamento.
O registro mencionado na reportagem descreve alegações de socos e pontapés e também faz referência a supostas ameaças contra a jovem e amigos. O caso, conforme as informações apresentadas, não resultou em condenação criminal de Aro.
A discussão entre os dois candidatos ocorreu em meio ao debate sobre segurança pública e representação feminina no Senado. O episódio também colocou em evidência uma diferença fundamental entre uma acusação registrada em boletim de ocorrência e uma condenação judicial: o registro policial documenta uma alegação apresentada à autoridade, enquanto a responsabilização criminal depende da apuração dos fatos e do devido processo legal.
O Tribunal de Justiça de Minas Gerais e a Polícia Civil de Minas Gerais foram procurados para esclarecer a situação do registro citado durante o debate, mas, segundo as informações disponíveis, ainda não haviam respondido até a publicação da reportagem.