Desembargador que liberou socorro ao BRB tem filhos em cargos no governo Ibaneis

Magistrado autorizou uso de imóveis públicos no caso Master enquanto dois filhos ocupam funções de confiança na gestão Ibaneis Rocha

Desembargador que liberou socorro ao BRB tem filhos em cargos no governo Ibaneis

A decisão que permitiu ao Governo do Distrito Federal avançar com medidas para socorrer o Banco de Brasília voltou a gerar questionamentos após a revelação de vínculos familiares no núcleo da administração local. O desembargador Roberval Belinati, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios, responsável por autorizar o uso de imóveis públicos na operação envolvendo o BRB, tem dois filhos ocupando cargos comissionados na gestão do governador Ibaneis Rocha (MDB).

Roberval Belinati (TJDFT) foi o responsável por derrubar decisões anteriores que impediam o uso de ativos públicos para cobrir o rombo bilionário ligado ao caso envolvendo o Banco Master. Em sua decisão, o magistrado considerou que as restrições judiciais poderiam comprometer a autonomia do Executivo local e dificultar a recuperação da instituição financeira.

O aval judicial permitiu a utilização de imóveis públicos avaliados em bilhões de reais como parte da estratégia do governo para evitar riscos mais graves ao banco estatal, incluindo a possibilidade de intervenção federal. A medida foi tratada como essencial pela equipe econômica do Distrito Federal para conter os efeitos da crise.

Paralelamente à decisão, chama atenção o fato de dois filhos do desembargador integrarem a estrutura do governo local. Um deles atua na Companhia de Planejamento do Distrito Federal, enquanto o outro ocupa função na Secretaria de Economia. Ambos exercem cargos de confiança, com remuneração vinculada à administração distrital.

O caso ganha relevância em meio ao debate sobre transparência e governança na gestão pública, especialmente em situações que envolvem decisões de grande impacto financeiro e institucional. A tramitação do processo também chamou atenção por ter passado por outros gabinetes antes de chegar ao desembargador, após magistrados se declararem impedidos de atuar no caso.

Procurado, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal informou que magistrados não comentam decisões judiciais. Os citados também não se manifestaram até a publicação desta reportagem.

A decisão envolvendo o BRB ocorre em um momento sensível para as contas públicas do Distrito Federal e amplia a pressão por esclarecimentos sobre os critérios adotados em operações que envolvem patrimônio público e recursos estratégicos.