
O desembargador do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), Newton Ramos, e o filho do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Kassio Nunes Marques (PL), estão sendo investigados após decisão tomada por Ramos que favoreceu o filho do ministro. A suspeita é de que a ação tenha envolvido o empresário Ricardo Magro, dono da refinaria Refit, uma das maiores devedoras de impostos do Brasil, que contratou o advogado Kevin de Carvalho Marques, filho de Nunes Marques, para lidar com o caso no TRF-1.
Em dezembro de 2025, o advogado Kevin de Carvalho Marques solicitou uma liminar para suspender uma fiscalização da Agência Nacional do Petróleo (ANP) sobre a Refit. O pedido foi analisado e aceito pelo desembargador Newton Ramos, que atuou como relator substituto do processo, liberando a refinaria de ser interditada. A decisão foi tomada em caráter provisório, mas os indícios levantados durante a investigação sugerem que a decisão foi favorável a um grupo de interesse questionado por sua relação com o caso.
A viagem de Ramos com o ministro Nunes Marques e a ligação do ministro com o filho na gestão de um processo tão relevante levantaram mais questões sobre a imparcialidade das decisões. Além disso, surgem ainda mais interrogações sobre o envolvimento do empresário Ricardo Magro, que, segundo dados levantados, tem grandes ligações com empresas envolvidas em crimes tributários e sonegação de impostos.
A situação ganha contornos ainda mais delicados quando se observa que Kevin de Carvalho Marques, advogado envolvido na ação, passou a ser associado a uma rede de pagamentos envolvendo grandes grupos empresariais. O fato de ele ter sido nomeado por seu pai, aliado próximo de Ramos, sugere que os laços políticos e pessoais podem ter influenciado as decisões judiciais no TRF-1, especialmente em um momento em que figuras de alto poder, como o ministro Nunes Marques, estão sendo intimamente ligados ao processo.
Embora o desembargador Newton Ramos tenha alegado que não há conflitos de interesse na decisão tomada, a situação continua sendo monitorada pelas autoridades responsáveis. A Polícia Federal está investigando os desdobramentos do caso, enquanto as possíveis consequências para a imagem do STF e a credibilidade das instituições são discutidas entre juristas e especialistas.
A movimentação levanta um debate sobre a independência dos poderes, especialmente no que se refere à influência de alianças políticas nas decisões judiciais. Enquanto isso, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região tenta lidar com as implicações dessa investigação e os impactos para sua própria reputação.