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Dossiê dos anos 70 expõe prática de nepotismo da família Caiado em Goiás

Por Brasil no Centro Publicado em 14 de abril de 2026 às 17:49 3 min de leitura
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Dossiê dos anos 70 expõe prática de nepotismo da família Caiado em Goiás

Na década de 1970, o regime militar brasileiro produziu um dossiê que investigava a prática de nepotismo no governo de Goiás, administrado por Leonino Caiado, primo de Ronaldo Caiado, atual presidenciável pelo PSD. O documento, elaborado pelo Serviço Nacional de Informações (SNI), apontava que a crescente presença de parentes na administração estadual, conhecida como “familiocracia”, estava prejudicando a imagem do governo e causando impactos negativos na opinião pública, com reflexos para o regime militar, ainda em fase consolidativa após o golpe de 1964.

De acordo com o dossiê de 1974, o governo de Leonino Caiado, que fazia parte da Arena, partido aliado à ditadura, foi marcado pela nomeação de 16 parentes e pessoas próximas para cargos estratégicos no estado. Esses nomeados, em sua maioria, não possuíam experiência política em Goiás e, em alguns casos, foram aprovados de maneira irregular em concursos públicos. O dossiê menciona também que, apesar de algumas nomeações não violarem a lei, elas geravam grande desaprovação popular, especialmente por se tratar de um governo visto como dominado por uma única família.

Outro documento, datado de 1972, associou a família Caiado a práticas de compra de votos e corrupção para garantir a manutenção do poder em Goiás, o que gerava críticas tanto na imprensa da época quanto entre os próprios militares. A nomeação de familiares e amigos do governador para cargos públicos gerava desconforto e questionamentos, com a imprensa destacando a presença excessiva de membros da família no governo. Para o regime militar, a prática de “familiocracia” era vista como um resquício de velhas estruturas oligárquicas que deveriam ser evitadas.

O dossiê também destacou que, ao longo do tempo, o controle familiar sobre a administração pública de Goiás se tornou cada vez mais evidente, e o fenômeno chamou atenção tanto dentro do próprio governo quanto na imprensa, que criticava a falta de meritocracia e as irregularidades em várias nomeações. A prática continuou a ser uma característica da família Caiado, com pelo menos dez parentes ocupando cargos públicos durante o mandato de outro membro da família, já no final do século XX.

A família Caiado, que tem suas raízes em Goiás desde o século XVIII, foi uma das mais influentes da região, com diversos membros ocupando cargos políticos de destaque ao longo das décadas. No entanto, a forma como se perpetuaram no poder, com a nomeação de parentes em cargos estratégicos, se tornou uma marca controversa, sendo até mesmo alvo de investigação pelo regime militar.