Eduardo Bolsonaro é afastado de cargo na PF após descumprir ordem de retorno ao Brasil

Processo disciplinar pode levar à expulsão do ex-deputado, que permanece nos Estados Unidos e já responde a ação penal no STF
A Polícia Federal decidiu afastar preventivamente Eduardo Bolsonaro do cargo de escrivão da corporação após o ex-deputado não cumprir determinação administrativa para retomar suas funções no Brasil. A medida foi adotada no âmbito de um processo administrativo disciplinar que apura faltas não justificadas desde o fim de seu mandato parlamentar.
Servidor concursado desde 2010, Eduardo ingressou na instituição antes de iniciar a trajetória política. Com o término do mandato na Câmara dos Deputados, ele foi formalmente intimado a reassumir o posto. A ausência passou a ser registrada como falta funcional, abrindo caminho para a apuração interna. O afastamento permanecerá em vigor até a conclusão do processo, que pode resultar em penalidades mais severas, inclusive demissão.
A decisão determina ainda a entrega da carteira funcional e de eventual arma institucional no prazo estipulado pela corporação. A Polícia Federal ressaltou, em despacho anterior, que a ordem de retorno tinha caráter obrigatório e que o descumprimento poderia gerar consequências administrativas.
Filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Eduardo está nos Estados Unidos desde o início de 2025. Ele afirmou, à época, que buscaria apoio internacional contra o que classificou como perseguição política. A declaração veio acompanhada de críticas à própria instituição da qual faz parte como servidor concursado.
Eduardo Bolsonaro (PL) declarou em redes sociais que não abriria mão de suas posições por um cargo público e atacou dirigentes da corporação. A manifestação ocorreu após a notificação para retorno ao trabalho. Até o momento, ele não comentou oficialmente o afastamento preventivo.
Paralelamente, o ex-deputado tornou-se réu em ação penal no Supremo Tribunal Federal sob acusação de obstrução de Justiça e coação no curso de processo judicial. A Primeira Turma da Corte aceitou a denúncia por unanimidade, entendendo haver elementos suficientes para o prosseguimento da ação.
O episódio acrescenta novo capítulo à trajetória política de Eduardo, que teve o mandato parlamentar encerrado após sucessivas ausências. Agora, além de responder na esfera judicial, enfrenta processo disciplinar que pode encerrar também sua carreira como servidor público.