Política com conteúdo. Centro com clareza.
quinta-feira, 24 de setembro
Assinar
Agora
Datafolha: Marília e Aécio seguem na liderança pelo Senado em MinasAécio recebe apoio de policiais civis de Minas Gerais“A mentira mais repetida da eleição”: falas de 2025 confrontam discurso atual de Carlos Viana sobre impeachment no STFCrítica de Lula sobre igreja católica causa desconforto, diz CNBBAssessora de Tarcísio e ministro do TCU são favoritos ao STF, caso Flávio seja eleito
Política

Eleições de 2026 colocam Brasil no centro do teste global para inteligência artificial

Por Brasil no Centro Publicado em 19 de setembro de 2026 às 16:51 5 min de leitura
Compartilhar
Eleições de 2026 colocam Brasil no centro do teste global para inteligência artificial

As eleições brasileiras de 2026 serão acompanhadas de perto pelo setor de inteligência artificial. Para Bruno Lewicki, chefe de políticas públicas da OpenAI para a América Latina, o pleito deste ano representa um dos principais testes para entender como ferramentas de IA podem ser utilizadas em processos eleitorais e quais mecanismos serão necessários para reduzir riscos de manipulação e desinformação. Texto colado

Em entrevista à Folha, Lewicki afirmou que a empresa se preparou para o período eleitoral e trabalha com a expectativa de que o processo transcorra sem grandes incidentes relacionados ao uso de inteligência artificial. Ao mesmo tempo, ressaltou que parte das regras estabelecidas pelo Tribunal Superior Eleitoral para 2026 é nova e ainda terá sua aplicação prática testada durante a campanha e a votação. Texto colado

O cenário brasileiro ganhou atenção especial porque o TSE estabeleceu regras específicas para conteúdos produzidos ou modificados por inteligência artificial. A regulamentação exige que materiais sintéticos utilizados em propaganda sejam identificados de maneira explícita e acessível. Também foi estabelecida uma restrição específica para a circulação de novos conteúdos sintéticos que utilizem imagem, voz ou manifestação de candidatos ou figuras públicas nas 72 horas anteriores e nas 24 horas posteriores à eleição.

Outro ponto importante da regulamentação é a relação entre inteligência artificial e escolha eleitoral. As regras para 2026 proíbem que provedores de sistemas de IA ofereçam recomendações de candidaturas com o objetivo de impedir uma interferência algorítmica direta na decisão do eleitor.

Para Lewicki, a preparação da empresa está baseada em três frentes. A primeira é a identificação da origem dos conteúdos produzidos pelas ferramentas. Segundo ele, arquivos gerados pelo ChatGPT contam com mecanismos de identificação digital e metadados capazes de indicar sua procedência. A segunda envolve o acesso a informações consideradas confiáveis, com maior atenção a fontes oficiais e veículos jornalísticos. A terceira está relacionada ao monitoramento permanente dos sistemas de segurança, integridade e aplicação das políticas de uso. Texto colado

O executivo também citou um episódio recente envolvendo um documento falso atribuído à Polícia Federal que circulou nas redes sociais. Segundo o relato apresentado na entrevista, ferramentas de verificação foram capazes de identificar que o material havia sido produzido com auxílio de inteligência artificial. O caso ilustra uma das dificuldades que devem marcar a eleição: a possibilidade de conteúdos artificialmente produzidos adquirirem aparência de documentos ou registros autênticos. Texto colado

A preocupação não se limita a imagens e vídeos. A identificação de textos produzidos por inteligência artificial é mais complexa, segundo Lewicki, porque os mecanismos utilizados para verificar imagens e áudios não funcionam da mesma maneira com conteúdo textual. O executivo também destacou que o ChatGPT recebe milhões de mensagens diariamente no Brasil e que a qualidade das informações utilizadas nas respostas é um dos pontos centrais para reduzir a circulação de conteúdo falso ou distorcido. Texto colado

A própria evolução das ferramentas acrescenta um desafio à fiscalização. Estudos citados na entrevista apontaram que sistemas de inteligência artificial ainda apresentavam, em determinados testes, comportamentos de recomendação ou ranqueamento de candidatos, apesar das restrições existentes. Lewicki afirmou que parte dessas pesquisas foi realizada meses antes e que novos ajustes foram implementados posteriormente. Segundo ele, um estudo solicitado pela empresa registrou recusa do modelo em recomendar ou ranquear candidatos em 32 dos 33 experimentos realizados. Texto colado

O tema ganhou ainda mais relevância porque o Brasil não está isolado nesse processo. Segundo o executivo, o que for observado durante as eleições brasileiras poderá servir de referência para outros pleitos internacionais previstos para os próximos anos. A experiência brasileira é vista pela empresa como uma oportunidade para testar mecanismos de segurança em um cenário eleitoral de grande escala. Texto colado

A regulamentação eleitoral, entretanto, ainda terá de ser confrontada com situações concretas. O TSE reconhece que o uso de IA exige acompanhamento constante e estabeleceu mecanismos específicos para conteúdos sintéticos, inclusive com possibilidade de remoção de materiais que violem as regras. Em setembro, a Corte também definiu critérios para caracterizar deepfakes e delimitou sua aplicação no contexto de propaganda eleitoral.

Para Lewicki, esse processo exige cautela tanto das empresas de tecnologia quanto das instituições públicas. Ele defendeu maior cooperação entre governos, empresas, universidades e sociedade civil diante dos riscos e das oportunidades associados ao avanço da inteligência artificial. Texto colado

Com mais de 20 mil candidatos previstos no processo eleitoral brasileiro, a dimensão do pleito torna 2026 um momento particularmente relevante para medir os limites da tecnologia no ambiente político. O desafio será conciliar inovação e acesso à informação com mecanismos capazes de preservar a integridade do processo eleitoral em um cenário no qual distinguir rapidamente o que é real, manipulado ou inteiramente produzido por inteligência artificial se torna cada vez mais difícil.